segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Não estou indignado com os políticos.

     Ouvi e li muito a respeito da indignação do povo com o aumento dos salários (iniciado por senadores e por deputados federais e "cascateado" aos que seguem na hierarquia dos poderes do nosso Estado de direito) na ultima semana. Porém não estou nada indignado com eles, pois não está ali o problema.

     Teve protesto, diversos blogs e colunas manifestando repúdio e inúmeros programas apresentaram a indignação de todos. Tá, legal, mas e ai? Vocês realmente acham que ficar indignado vai mudar alguma coisa? Vou contar algo que talvez muitos tenham esquecido: todos eles, sem exceção, todos mesmo, estão lá por que nós os escolhemos. Nós julgamos eles capacitados para nos representar. Os elegemos por entender que eram aptos a legislar. Nós optamos por isso.

     Se, nas próximas eleições, ninguém irá lembrar mesmo quem aprovou ou não este aumento absurdo, por que motivos eles votariam contra? Para se indispor com seus colegas? Para ficar contra candidatos que dominam o espaço na mídia? Votar contrário a este tipo de projeto, significa o mesmo que ser perseguido por quem votou a favor. Logo, nas próximas eleições, os políticos "do contra" serão alvejados por seus concorrentes, que utilizarão toda a influência que possuem para fazer o povo acreditar que não são bons candidatos (e obviamente conseguirão isso). Em sintese, como o povo é completamente alheio à política, os políticos podem fazer o que querem e da forma como querem, desde que não se indisponham com as pessoas erradas. Os políticos bons, por sua vez, como querem se manter em seus cargos para ajudar o povo (sim, ainda há políticos assim), precisam compactuar com este sistema para preservar seus postos (caso contrário, as próprias pessoas que eles querem ajudar, os tiram do cargo).

     Para quem ainda está se sentindo vitimado por esta posturas de nossos correligionários, vamos fazer um teste. Quando você votou no seu candidato para deputado federal, quais assuntos ele disse que iria priorizar? Sobre quais projetos ele disse que lutaria? Não lembra?!? Bom, ao menos lembra em quem votou ha quatro anos atrás? Também não?!? Bom, então pare de reclamar e comece a pensar antes de votar.

     Talvez, nas próximas eleições, alguém consiga lembrar-se deste fato (que, me menos de uma semana, já está praticamente esquecido) e assuma uma postura um pouco mais responsável na hora de votar. Fazendo a minha parte, disponibilizo a todos a lista dos políticos contrários ao aumento de salário:


SENADORES (3 de um total de 81, ou 3,7%)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
José Nery (PSOL-PA)
Marina Silva (PV-AC)

DEPUTADOS (34 de um total de 513, ou 6,6%)
Alfredo Kaefer (PSDB-PR)
Assis do Couto (PT-PR)
Augusto Carvalho (PPS-DF)
Capitão Assumção (PSB-ES)
Chico Alencar (PSOL-RJ)
Cida Diogo (PT-RJ)
Décio Lima (PT-SC)
Dr. Talmir (PV-SP)
Eduardo Valverde (PT-RO)
Ernandes Amorim (PTB-RO)
Mauro Nazif (PSB-RO)
Emanuel Fernandes (PSDB-SP)
Fernando Chiarelli (PDT-SP)
Fernando Gabeira (PV-RJ)
Gustavo Fruet (PSDB-PR)
Henrique Afonso (PV-AC)
Iran Barbosa (PT-SE)
Ivan Valente (PSOL-SP)
José Stangarlini (PSDB-SP)
Lelo Coimbra (PMDB-ES)
Luiz Bassuma (PV-AC)
Luiz Couto (PT-PB)
Major Fábio (DEM-PB)
Luiza Erundina (PSB-SP)
Magela (PT-DF)
Marcelo Almeida (PMDB-PR)
Paes de Lira (PTC-SP)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Raul Jungmann (PPS-PE)
Regis de Oliveira (PSC-SP)
Reinhold Stephanes (PMDB-PR)
Sueli Vidigal (PDT-ES)
Takayama (PSC-PR)
Vander Loubet (PT-MS)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Frase

"Uma pessoa é rica na mesma proporção ao número de coisas das quais abre mão."

Henry David Thoreau

sábado, 18 de dezembro de 2010

Como não ser "Massa de Manobra"

     Há muito tempo atrás, a imprensa que cobria futebol resumia-se a dois ou três jornais, que acabavam sendo a principal fonte de informação dos torcedores. Então, um empresário, quando queria valorizar um jogador, pagava aos meios de comunicação para que falassem bem dele. Durante as narrações, qualquer bola que ele não dominasse o narrador manizava dizendo que o problema tinha sido o passador. Por sua vez, quando errava um passe, ele dizia que seu colega não tinha entendido a jogada e, no final da partida, obviamente, lhe era dado o prêmio de melhor em campo. No outro dia, os jornais apontavam tal jogador como único craque em um elenco de medianos e ele se tornava ídolo da torcida. Hoje em dia, isso é impossível!

     A maioria dos homens e a minoria das mulheres (mas, de qualquer forma, boa parte da nossa população) assistem aos jogos do seu time no final de semana (quando não assistem mais uns dois ou três jogos também). Não obstante, muitos, após a rodada, continuam com a TV ligada para assistir aos programas de mesa redonda que sucedem o futebol. No dia seguinte, também lêem o jornal para saber o que escreveram a respeito dos jogos e, também no dia seguinte, acessam algum site (geralmente mais de um) para ver como repercutiu a rodada. Os que agem desta forma sabem exatamente como está seu time, como ele está em relação aos outros times, quais são os principais jogadores, quais opções que o treinador poderia ter utilizado, como a direção do clube está planejando contratações, onde estão as maiores falhas do clube, etc, etc. Ou seja, com tanta informação disponível estes torcedores que acompanham seus times não podem mais serem manipulados. Não interessa a eles quem foi escolhido o melhor em campo pela imprensa. Cada um sabe quem foi o seu melhor em campo (e isso até provoca discussões entre comentaristas de mesa redonda e entre amigos na segunda-feira).

     Lembram o que aconteceu quando a Rede Globo tentou colocar a torcida contra o Dunga? Não conseguiram, pois não era a versão da Globo contra a versão do Dunga, mas sim a da Globo, a do Terra, a da Record, a da Rede TV, a do Estado de São Paulo, de todos os outros veículos e a versão do Dunga. Como a população buscou estas fontes de informação, logo, ela concluiu: “Péra ai, o problema não é o Dunga e sim a Globo!” e a emissora virou a vilã na estória. Talvez pela primeira vez ela tentou manipular a opinião pública e não tenha conseguido. Mas isso em virtude de haver tanta informação a respeito? NÃO! Isso por que as pessoas buscaram estas informações.

     Este vasto conteúdo existe para todos os assuntos, mas apenas o utilizamos quando nos interessamos por algo. A mídia não consegue (por mais que ela tente) nos dizer quem é bom e quem é ruim, ou quem está certo e quem está errado no futebol.  Neste assunto, a torcida (a massa) tem voz própria. Sem dúvida todos já ouviram "o técnico foi demitido por pressão da torcida" ou "a torcida pegou no pé de tal jogar e ele será negociado". Já pensaram o quanto ia ser expressivo se publicassem "o governador foi deposto por pressão dos eleitores" ou então "a população pegou no pé de determinado político e ele não será mais eleito". Imaginem como seria a mídia publicando os fatos exatamente como eles são, por saber que não conseguem nos influenciar em relação à política. Pois é, preciso aterrissar na realidade e aceitar que enquanto continuarmos tratando futebol como prioridade e política como entretenimento (afinal, elegemos um palhaço para deputado), vamos seguir sendo uma nação “Massa de Manobra”.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O problema de uma nação "Massa de Manobra"

     O grande problema em sermos uma nação de "Massa de Manobra" é que os políticos não trabalham para as pessoas, e sim para a massa, pois quem manipula esta opinião pública é a imprensa com o apoio econômico das empresas (seus patrocinadores). Não ficou muito claro né? Pois é, então vamos criar um exemplo ABSOLUTAMENTE hipotético para esclarecer o assunto.

     Digamos que as empresas de automóveis sejam grandes patrocinadoras dos intervalos da Rede Globo. Então, o diretor de Marketing de uma destas empresas se reúne com o diretor de publicidade da Globo dizendo que tem se falado cada vez mais das vantagens do uso de transportes coletivos de qualidade, como metrô e como avião, e pede ajuda para evitar que continuem estes comentários, caso contrário a Opinião Pública irá começar a pressionar os políticos para investir nestes meios, o que será prejudicial para as vendas de automóveis e, por conseguinte, ele terá de reduzir as verbas de publicidade. Então o executivo da Globo leva esta informação para a sua reunião semanal com os demais diretores (de jornalismo, de esportes, de mídia imprensa, de portais, etc) e cada um sai dali responsável por fazer o possível. A partir de então não se publica nenhuma reportagem sobre as vantagens dos metrôs e, nos estados em que projetos estão surgindo, eles publicam reportagens e comentários do tipo "enquanto o governo pretende gastar bilhões em um metrô com ar condicionado, vejam estas pessoas aguardando na fila deste hospital". Sobre aviões, eles fazem diversas reportagens dizendo o quanto as pessoas estão descontentes nos aeroportos, com o objetivo de desencorajar quem pretende encarar um nas próximas férias. Além disso, começa uma série de reportagem falando do grande problema nas estradas (obviamente, um meio necessário para a circulação de veículos), e da abusiva taxa de IPI dos automóveis. Meses depois, o ministério do planejamento anuncia diversas obras de infra-estrutura e o ministério da fazenda anuncia a redução de IPI dos automóveis. Por fim, a emissora vende isso como "atenderam ao pedido do povo". Como viram, um exemplo meramente hipotético.

     Reparem o problema: as empresas controlam a mídia (pois são elas que pagam por publicidade), a mídia controla a Opinião Pública e os políticos precisam da Opinião Pública para se eleger. Logo, eles não farão o possível para desempenhar o melhor papel como político (honesto, correto, justo, etc) ou para produzir as principais melhorias para a população, pois se fizerem isso não serão eleitos. O que eles precisam fazer para isso é apenas agradar a Opinião Pública. Os bons políticos então, aqueles que realmente se candidatam para fazer algo de bom, sabem que terão de fazer parte do sistema (vista grossa para desvios de verbas, fornecer favores para a mídia ou diretamente para as empresas, etc) caso contrário a Opinião Pública se voltará contra eles e então perderão as próximas eleições (e, ai sim, não poderão fazer nada para ajudar!).

     Mas há uma forma evitar que nos tornemos massa de manobra (explico no próximo post).

Para quem acha que eu possa estar exagerando com esta história de empresas controlarem a mídia, dêem uma olhada neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Gw1DC01AeJs&feature=related

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Você é "Massa de Manobra"!

     Quer saber por que você é “Massa de Manobra” (uso o termo entre aspas, pois, hoje em dia,
ele é uma adaptação da proposta inicial de Bourdieu)? Vamos testar com apenas uma pergunta:

1 - Qual é a cidade com o trânsito mais problemático do Brasil?

     Para todos que eu faço esta pergunta ouço sempre a mesma resposta: São Paulo. Acredito que você também tenha chegado a mesma conclusão sem ao menos ter estado lá, que dirá dirigindo lá. Bom, mas se já dirigiu e acredita que isso é suficiente para afirmar, pergunto a você se, apenas para criarmos um parâmetro, alguma vez você precisou pegar a BR-116 no trecho de Canoas-RS às 18h? Ou então já passou, neste mesmo horário, pela Rótula do Abacaxi ou pela Av. ACM em Salvador-BA? Não? Eu já precisei dirigir nos três lugares e afirmo que são tão ruins (ou piores) que os trechos mais caóticos de São Paulo (Bandeirantes, marginal Tietê e Marginal Pinheiros), nos quais eu também já dirigi. Mas a culpa não é sua por pensar como a maioria pensa.

     O que leva as pessoas a responderem de "bate-pronto" esta pergunta é a imprensa. Ela martela diariamente que a capital paulista esta engarrafada. Faz boletins matinais para informar como está a situação do trânsito naquelas avenidas e, com muita frequência, faz matérias especiais sobre o problema e, por conseguinte, faz com que todos pensem que lá é o pior lugar do país para se dirigir. Tudo por uma questão de interesse.

     Para quem não sabe, estas avenidas de São Paulo são as principais vias para se chegar à Rede Globo, à Rede Record, à Bandeirantes, ao aeroporto de Congonhas e a um monte de outros lugares que pessoas "importantes" precisam chegar. Então a imprensa, que ajudando estas pessoas “importantes” também será ajudada (em uma lógica muito comum de qualquer empresa que visa o lucro), utiliza seus meios de comunicação para criar uma "Massa de Manobra".

     Se conseguirem que a "Opinião Pública" (vulgo "Massa de Manobra") compre a idéia de que lá é o pior trânsito do país, logo todos irão falar sobre isso, todos os noticiários irão reiterar o assunto e, todos os jornais irão publicar mais e mais matérias a respeito e, tão logo também, um político surgirá para construir um Rodoanel aqui, uma Ponte Estaiada ali, uma ampliação da Bandeirantes acolá, etc, etc e etc. Resultado: os políticos ganham imagem, as pessoas “importantes” ganham melhorias (e, é claro, todos os outros que tem a sorte de utilizarem os mesmos recursos das pessoas “importantes”) e o restante da população ganha apenas um projeto do PAC.

     Se o problema em se tornar “Massa de Manobra” fosse apenas o foco das obras de infra-estrutura, “tudo bem”, poderia pensar a maioria, acontece que, no momento em que a população dá este poder à mídia (apoiada pelos “importantes), ela cria uma série de problemas para ela mesma! (amanhã publico um post explicando quais são estes problemas).

sábado, 13 de novembro de 2010

Qual é o maior problema do mundo?

     Na noite do dia 28/10, logo após escrever o meu último post aqui do blog, fui jogar um futebol e...
...rompi o Tendão de Aquiles do pé esquerdo. Pois é, justamente um dia antes de eu entrar de férias. A propósito: um dia antes de eu ir para Santa Catarina surfar e curtir um tempinho livre! Tudo marcado, reservado, comprado e isso acontece. Passei a sexta-feira lamentando o meu azar e com a mais absoluta certeza de que era a pessoa mais azarada do mundo (principalmente depois do médico ter dito que eu ia ficar até o final de dezembro de "molho" sem poder colocar o pé no chão). Bom, uns dias depois deste lamento, lembrei-me de algo que Michel J. Fox escreveu sobre como cada um encara seus problemas e criei uma metáfora para explicar melhor a idéia:

     Um bondoso homem que trabalhava na Cruz Vermelha como médico, ao longo de sua jornada por diversos países necessitados, anotava cada situação de flagelo que testemunhava: fome, epidemias, refúgio de guerra, genocídios, etc. Após 20 anos de trabalho e diversos problemas em sua lista, ele decide definir qual é o pior deles. Para tanto, juntou fundos e reuniu um habitante de cada local por onde passou e pediu que cada um observasse a lista e anotasse em uma folha qual era o pior problema, assim, o pior seria aquele que fosse anotado mais vezes. Então, quando ele coletou as anotações ele presenciou o fracasso da sua iniciativa: cada um anotou o próprio problema que vivenciou. Embora a pesquisa do médico não tenha chegado a conclusão esperada, ela foi fundamental para outra conclusão: por mais que nossa situação nem sempre seja favorável, o que a torna pior é acreditarmos que estamos diante do maior problema do mundo.

     Por mais que o mundo esteja cheio de problemas, tenderemos a considerar o nosso o maior deles. Isso parece nos dar força, uma vez que estamos "combatendo" um rival poderoso (o nosso problema), porém considerá-lo grande (o maior do mundo) apenas torna tudo pior. Desde quando para superar um adversário temos de considerá-lo grande? É preciso entendê-lo e saber o que fazer para combatê-lo. Tratando-se de problemas, precisamos aceitá-los e fazer tudo que estiver ao nosso alcance para superá-lo ou para conviver com ele.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A diferença entre briga de casais e briga de amigos

     Seguramente todos já perceberam que, ao brigarmos com amigos, dificilmente ficamos mais do que poucas semanas sem falar com eles, porém quase todos temos aquele um (a) ex alguma coisa com quem brigamos de uma forma que não é possível se quer olhar mais para a pessoa. Mas por que esta diferença? Eu tenho uma opinião a respeito e vou fazer uso de uma analogia militar para explicá-la. Aqui no Brasil, há uma guerra que explica muito bem isso: a Guerra dos Farrapos.

     Todos sabem que há uma divisão nítida, porém invisível entre o Rio Grande do Sul e os demais estados do Brasil. Os gaúchos cultivam sua cultura de forma fervorosa e preferem unanimemente serem considerados gaúchos a brasileiros. Já o resto do país não perde a oportunidade de tentar minimizar os gaúchos, seja com piadas sobre sua masculinidade, seja com deboches em relação ao jeito de falar e de vestir deste povo. Bom, mas de onde vem este sentimento separatista dos gaúchos? Isso se extende desde a Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos, que fora uma guerra pela independência do Rio Grande). Mas como isso ainda está presente mesmo tendo se passado 165 anos? Será que foi apenas por ter sido um conflito violento? Pouco provável, pois alemães e britânicos mataram muito mais adversários na Segunda Guerra Mundial e hoje são fortes parceiros comerciais e sem nenhuma rixa aparente (sem falar que este confronto é muito mais recente). A grande questão não está no tempo, nas mortes ou tão pouco nas diferenças culturais. O problema está na diferença entre uma guerra civil e uma guerra entre Estados.

     Quando dois ou mais Estados travam uma batalha eles fazem uso de táticas convencionais de confronto, ou seja, destroem reservas, atacam por terra e pelo ar, preparam frentes navais, etc, etc. Porém em uma guerra civil (que é como eu caracterizo as revoluções), há um fator diferencial na disputa: o conhecimento sobre o adversário. Os gaúchos em sua revolução recrutaram negros para seu exército formando uma tropa que ficou conhecida como Lanceiros Negros, pois sabiam da posição escravista apoiada pelo governo imperial coronelista. O ataque imperial aos lanceiros foi implacável, o que feriu o orgulho dos Farrapos. Por sua vez, o governo imperial bloqueou o acesso ao Porto de Rio grande e, como resposta, a revolução tomou Laguna, porém não por sua posição estratégica (seria mais simples retomar Rio Grande), mas eles sabiam que a tomada de Laguna iria atingir o orgulho dos imperiais e, portanto, a fizeram. Isso não era tática militar apenas, mas sim conhecimento do adversário. Quando se tem este conhecimento é possível feri-lo também em seu orgulho e em suas vaidades, e estas feridas não cicatrizam tão facilmente e é exatamente este ponto que conecta uma guerra civil a uma guerra de casais.

     Em uma briga de amigos, eles usam táticas convencionais para isso (palavras e gestos que ofenderiam qualquer pessoa). Agora, na briga de um casal, ambos sabem muito sobre o "oponente". Aspectos das suas intimidades já foram compartilhados. Você sabe o que dizer para ofender a outra pessoa e, no calor da briga, o que acaba fazendo? Isso mesmo, você usa esta informação e dispara a ofensa. Obviamente a outra pessoa não deixa por menos e revida com a mesma agressividade. Bom, ai a ofensa atingi um nível em que a convivência torna-se insustentável e a relação, logicamente, chega ao fim.

     Às vezes, brigamos por motivos estúpidos e falamos coisas das quais nos arrependemos (na verdade, quase sempre é assim). O pior, no caso dos casais, é ofender uma pessoa que você ama e acabar ouvindo coisas tão pesadas que não haja como relevá-las e, possivelmente, um casal que tinha tudo para ficar junto termine por uma bobagem. Não use o conhecimento que você tem de alguém em qualquer briga. Isso, só irá magoar a pessoa. Quer atingir a pessoa então? Use o silêncio. Nada é tão forte quanto ele em uma briga. A final, o silêncio só será um tolo, enquanto nós formos sábios, mas ele será muito sábio quando estivermos sendo tolos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Frase


Os Covardes nunca tentam, os fracassados nunca terminam e os vencedores nunca desistem.


Norman Vincent

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O médico e o cientista

     Não acredito em um Deus superior, o que, para alguns, classifica-me como ateu. Independente da minha filosofia religiosa, gostaria de compartilhar com todos um ensinamento:

Certo dia, dois amigos conversavam sobre religião. Um deles, um cientista espacial, questionava seu amigo, um médico neurologista, sobre como uma pessoa que conhecia tanto sobre o cérebro humano, e confiava todos seus métodos cirurgicos à ciência, poderia acreditar em um ser superior antes de crer na própria ciência.

Depois de um tempo conversando, o cientista diz:

- "Engraçado, mas mesmo depois de passado tanto tempo que o homem explora o universo, vários já estiveram no céu e nunca encontraram Deus por lá". Então, o médico lhe responde:

- "Também gostaria de compartilhar algo inusitado com você: em todos estes anos como médico, operei muitos pacientes e, entre eles, grandes pensadores e cientistas, mas, ao operar seus cérebros, nunca vi nenhum pensamento ou idéia saírem de lá".


Moral da história: para acreditar na ciência, também é preciso ter fé.




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Minha Opinião Sobre Voto Obrigatório

     A maioria das pessoas que conheço se quer pega um livro durante as férias para estudar, porém, no final de semana que antecede sua semana de provas, elas se preparam como nunca! O fato das provas serem obrigatórias e os alunos se prepararem para elas me fez pensar um pouco em política, mas por enquanto vamos continuar falando de estudos.

     Imaginem se prova fosse algo facultativo. Digo mais! Imaginem se os professores fossem avaliados pelo rendimento dos seus alunos nestas provas. Ou seja, faz a prova quem quer e o resultado pode afastar um professor ou mantê-lo lecionando.

     Em uma turma de 30 alunos, acredito que no máximo 2 fariam a prova sem serem obrigados (caso alguém pense que eu possa estar exagerando, basta fazer o um teste com amigos ou com colegas).

     "Mas e se eles não forem bem na prova", poderia pensar qualquer professor. É nesse caso, o professor "já era".
     "Bom e se eu conceder favores (livros, auxilio a conseguir vagas de mestrado, ajuda para conseguir vaga no estacionamento, etc) para uns 4 alunos e dizer para eles como fazer as provas? Ai, a maioria dos alunos iria gabaritar a prova e, logo, eu manteria meu emprego!", poderia pensar o professor corrupto. Bem, ai, o que os resultados diriam é que a maioria dos alunos foi muito bem e apenas alguns fazem parte do problema.

Conclusão desta história fictícia: caso a prova seja facultativa e o seu resultado afetasse o ensino (algo muito maior que uma prova) a realidade só seria apresentada se a maioria dos alunos fosse consciente ou se os professores não fossem corruptos, caso contrário uma prova obrigatória ajudaria a evitar corrupção e "forçaria" alunos sem consciência a estudar.


***


Caso eu não tenha sido claro em minha conclusão, vamos fazer uma equação:


Voto facultativo + eleitores conscientes + políticos honestos =
Noruega, Suécia, Holanda, Alemanha...
Voto facultativo + eleitores conscientes - políticos honestos =
Itália, França...
Voto facultativo - eleitores conscientes - políticos honestos =
África do sul, Cuba, Haiti, Bolívia*, Venezuela*...

Voto obrigatório + eleitores conscientes + políticos honestos =
Austrália, Bélgica...
Voto obrigatório + eleitores conscientes - políticos honestos =
Grécia, Egito...
Voto obrigatório - eleitores conscientes - políticos honestos =
Brasil, México, Chile, Singapura...


*Obrigam, mas quem não for não precisa justificar-se ou preocupar-se, pois não há nenhuma punição (é o pior modelo, uma vez que no papel é obrigatório, mas na prática é livre).

domingo, 17 de outubro de 2010

O futuro de uma ilusão

Texto publicado na coluna de David Coimbra na Zero Hora de 15/10.


     Lá pelo fim dos anos 20 do século 20, Freud concebeu um livro genial, dentre tantos de seus livros geniais: O Futuro de uma Ilusão, um estudo sobre como a religião é subproduto da Civilização.
     Freud discorre acerca do desamparo do ser humano diante das forças da Natureza. Como o homem, tornado adulto, descobre que será sempre uma criança à mercê dos poderes estranhos que o cercam e o ameaçam: um milheiro de doenças, intempéries de verão e inverno, acidentes surpreendentes. Desesperado em busca de proteção, sabedor de que essa proteção não virá da sociedade que o cerca, o homem se volta para aquela figura plena de força que, durante a sua infância, ele ao mesmo tempo temia e ansiava para que o salvasse de todo o mal: o pai. Indefeso em meio aos perigos do mundo, o homem precisa crer na existência de alguma entidade que o defenda e o oriente, e volta e meia o puna, como fazia seu pai. Espelhado no que o pai lhe representava quando criança, o homem cria o seu deus: onipotente, amoroso, porém duro.
     O texto de Freud demonstra que, quando a Civilização é ineficaz para proteger o homem com suas ferramentas tradicionais, a ciência, a tecnologia, as leis, o homem apela para a religião.
A premissa contrária é verdadeira. Quando os instrumentos da Civilização funcionam, a religião perde prestígio. Em países onde a Civilização atingiu os níveis mais avançados, como a Alemanha e a Inglaterra, grande parte da população flutua com serenidade no ateísmo, no agnosticismo ou na singela indiferença ao transcendental. Ingleses e alemães estão cada vez mais distantes dos deuses. Porque não precisam deles.

     Agora mesmo, chamou-me a atenção que foi ela, a Civilização, a festejada no resgate dos mineiros soterrados no deserto de Atacama. Assim que um resgatado brotava da terra e saía da cápsula, ele e os outros que o esperavam na superfície, o que eles faziam? Eles não se ajoelhavam e rezavam, com talvez uma única exceção. Eles não erguiam as mãos para o Céu protetor. Não. A maioria deles gritava:
– Chi-chi-chi! Lê-lê-lê!
     Chile. Gritavam o nome do país. Quer dizer: celebravam o Estado que teve interesse em salvá-los e, tendo interesse, investiu nisso, financiou o que há de mais sofisticado em ciência e tecnologia, e criou condições para o resgate bem-sucedido. Ciência e tecnologia. Recursos da Civilização.
     Os chilenos, ao entoar o nome de seu país, estavam louvando a Civilização.

     Ao mesmo tempo, aqui, no Brasil, transcorre o segundo turno das eleições presidenciais, e a democracia também é um instrumento requintado da Civilização. Mas qual é o maior debate deste segundo turno? O que se cobra dos candidatos a presidente do Brasil e do que eles falam dia após dia?
     Do aborto.
     De religião.
     Essa é a civilização brasileira. Esse é o futuro de uma ilusão.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por que você usaria o adesivo de uma marca no seu carro?

     Assistindo um documentário sobre publicidade direcionada para crianças (o quanto a mídia explora a ingenuidade das crianças), percebi uma cena muito, mas muito reflexiva!

     Uma menina, com pouco mais de seis anos, falava o quanto gostava da marca Moranguinho e o quanto queria todos os produtos da personagem. Então, a psicóloga que produziu o documentário perguntou o porquê dela querer especificamente estes produtos e a menina respondeu: "Porque a Moranguinho é legal! (em um tom de "ora bolas, precisa de um motivo melhor do que ser legal para eu querer?"). O quadro encerra-se com a psicóloga dizendo o quanto é forte o poder da publicidade sobre uma criança ingênua, pois a propaganda é capaz de induzir uma menina a gostar e a consumir determinada marca sem que ela saiba o motivo disso. Pois é, este depoimento me fez recordar algo que aconteceu no meu trabalho dias atrás.

     Como faço sempre, estaciono meu carro e caminho entre os demais até o portão que dá acesso à saída do estacionamento. Naquele dia em especial, o carro de um colega chamou-me a atenção. Percebi neste um adesivo da Nike, até discreto, colado no pára-choque traseiro. Refleti um pouco sobre aquilo, mas segui caminhando. Quando já estava na minha sala, assim que tive a oportunidade de encontrar o dono do carro, comentei com ele que havia percebido o adesivo e perguntei o que o motivou a fixá-lo lá, e ele disse-me: "sei lá, achei o adesivo legal e colei!".

     Diariamente, somos bombardeados por publicidade. É um arsenal de recursos invasivos nos falando de um produto sem que estejamos interessados nele. Porém, observe algo: você já reparou que a maioria das propagandas não mostra um motivo lógico (como preço ou teste de qualidade) que o leve a adquirir o seu produto? Ou então que a maioria dos vídeos publicitários se quer estão relacionados ao produto em si? Vamos ao exemplo da Nike mesmo. Você já assistiu alguma propaganda deles que diga "Nike 38 molas por apenas R$1.199,00!!! Aproveite!!!", ou então "Com estas 38 molas no seu pé, seu tênis será muito mais ergonômico, suas corridas terão melhor desempenho, etc, etc"? Não, você nunca viu ou irá ver uma propaganda assim das grandes empresas, pois seu objetivo não é fixar a marca a um padrão de qualidade ou de preço e sim a um padrão de vida.

     Durante muito tempo, as sandálias Havaianas faziam comerciais enaltecendo o fato de seu produto não desbotar e não soltar tiras. Antigamente, ao falar sobre Havaianas, as pessoas pensavam em um bom e resistente chinelo de borracha, mas e hoje, ainda é isso que pensamos? Lembramos mais a qualidade inquestionável de um chinelo ou a figura de uma pessoa bem vestida, bem sucedida, vestida de forma despojada e calçando a sandália?

     Faça um teste: se eu pedir para você definir a Nike como uma pessoa, como você a descreveria? Alguém jovem praticante de esportes? Possivelmente sim, mas de onde vem esta definição e como ela foi criada?

     Como eu havia dito, não se vende mais qualidade e sim estilo de vida. As empresas patrocinam eventos dos quais querem identificar sua marca, suas propagandas estão no intervalo de programas com os quais também buscam uma identificação. Aos poucos, somos influenciados e, um belo dia, estamos em uma loja comprando uma camiseta com a estampa enorme de uma marca no peito ou pedindo um adesivo para fixar em qualquer lugar, por acharmos tudo aquilo "legal". Enquanto o "surfista" usa roupas que destcam as marcas para ser identificado como um surfista, outra pessoa usa roupas "bacaninhas" mescladas com uma sandália Havaiana para parecer bem sucedida e o meu colega usa seu carro como outdoor da Nike para se considerar um atleta. Porém há um detalhe em tudo isso: as empresas só vendem estilo de venda, por que há compradores.

     Questione o motivo que o leve a consumir determinada marca, caso contrário sua personalidade pode continuar sendo a mesma de uma criança de seis anos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dicas para um voto consciente

    

     Faltam dois dias para as eleições e muita gente ainda está com diversas dúvidas (seja em quem votar, seja sobre o processo político). Bom, tentarei ajudar a remover estas dúvidas utilizando os tópicos abaixo. Em cada um, irei abordar uma opção de voto e, ao final, e em vermelho, darei uma dica. Vamos lá!


VOTO PARA DEPUTADOS
     Para votar em um deputado, precisaremos primeiro entender como funciona nosso sistema de votação e o que faz um deputado.

1 – Como funciona o Sistema Proporcional de Votos:
     Você sabia que seu deputado pode ser um dos mais votados e não ser eleito? E que deputados com pouquíssimos votos podem ser eleitos? Esta é uma das características do Sistema Proporcional de Votos (previsto em nossa constituição).
     Seu voto, antes de ir para o seu candidato, vai para o partido dele. O total de votos que a legenda recebe dá a ela um percentual e este percentual será a proporção de candidatos que ela terá leh representando. Digamos que há 15 deputados disputando 10 vagas em um universo de 100 votos e as eleições decorrem conforme a tabela que criei abaixo. Em negrito, marquei os candidatos que seriam eleitos. Pois é, os candidatos 7, 8, 9 e 10 seriam eleitos sem terem recebido voto algum, enquanto o candidato 13, com cinco votos (o quinto candidato mais votado destas eleições) não seria eleito!

PARTIDO 1 (30% do total dos votos: direito a 3 deputado)
- Candidato 1 (25 votos)
- Candidato 2 (2 votos)
- Candidato 3 (1 votos)
- Candidato 4 (1 votos)
- Candidato 5 (1 votos)

PARTIDO 2 (50% do total dos votos: direito a 5 deputado)
- Candidato 6 (50 votos)
- Candidato 7 (0 votos)
- Candidato 8 (0 votos)
- Candidato 9 (0 votos)
- Candidato 10 (0 votos)

PARTIDO 3 (20% do total dos votos: direito a 2 deputado)
- Candidato 11 (7 votos)
- Candidato 12 (6 votos)
- Candidato 13 (5 votos)
- Candidato 14 (2 votos)
- Candidato 15 (0 votos)

     O objetivo aqui não é criticar ou defender este sistema e sim dar um exemplo claro de o porquê um partido aceita candidatos como o Tiririca e o Romário, por exemplo. Muitas pessoas, na “excelente idéia” de “votar em protesto” nestes candidatos, apenas estará fazendo exatamente o que os partidos querem! Eles criam estes candidatos que atrairão votos para que o partido tenha um percentual que garanta a eles “levarem de arrasto” os candidatos que de fato o partido quer que sejam eleitos (corruptos e defensores de interesses particulares, na maioria dos casos).
DICA 1: identifique a que partido estes candidatos “laranjas” estão filiados e não dê seu voto para um caditado (qualquer um) deste partido, caso contrário você estará apoiando este tipo de "iniciativa"!

2 – O que faz um deputado:
Deputado Estadual
- Propor, emendar, alterar e revogar e derrogar leis estaduais;
- Julgar, anualmente, as contas prestadas pelo governo do estado;
- Criar CPIs para investigar suspeitas de fraude;
Deputado Federal
- Propor, emendar, alterar e revogar e derrogar leis federais;
- Julgar, anualmente, as contas prestadas pelo governo federal;
- Criar CPIs para investigar suspeitas de fraude;
- Fiscalizar as leis formuladas pelo senado.

DICA 2: se uma das funções dos deputados é fiscalizar o governo, não é nada coerente votar em um deputado do mesmo partido do governo que você votou. Ou seja, se votou em um governador de um partido, vote em um deputado de outro (pense em quantas fraudes não são anunciadas, porque um deputado é do mesmo partido do político que ele está auditando e, como já vimos antes, ele depende da sua legenda até para ser eleito).


VOTO PARA SENADORES
     Com certeza, todos tomaram conhecimento da "podridão" que emergiu do nosso senado no último ano. Bom, sem entrar neste capítulo, restrinjo-me apenas a identificar que todas as regalias das quais eles desfrutam foram aprovadas por eles mesmos em um sistema do tipo “aqui as coisas funcionam deste jeito”. Isso é reflexo da falta de renovação desta casa. Eles criam regalias, pois sabem que estarão lá nas eleições seguintes.
DICA: renove o Senado! Vote em políticos que nunca estiveram lá!


VOTO PARA GOVERNADOR E PARA PRESIDENTE
     Já falei sobre isso em um post anterior. Novamente é a ideologia do partido que sustenta o candidato. Se o partido for populista, o futuro político priorizará projetos para as minorias. Se o partido for democrático, os projetos atingirão toda a nação. Exemplo: o Bolsa Família foi implementado por um partido populista. Ele não se aplica a toda a nação e sim a um grupo de pessoas que se enquadram nos requisitos do projeto. Já o projeto dos Genéricos foi implementado por um partido democrático e atinge toda a nação.
DICA: não "olhe" para as promessas, "olhe" para a ideologia do partido! É isso que o político, quando eleito, irá respeitar. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Realidades sobre Ensino Fundametal e sobre o Custo da Máquina Pública.


Estava assistindo a duas entrevistas esta semana e ouvi as seguintes frases (aproveito para postar meu comentário abaixo delas):



"O problema do ensino fundamental é que temos professores do século 20, aplicando conteúdo do século 19, para alunos do século 21".
     O formato de ensino (quadro negro, um professor e diversos alunos em silencio e regrados para uma disciplina e atenção inabaláveis) é o mesmo do século 19. A maioria dos professores utilizam a didática e os recursos que utilizavam ha 20 anos atrás para lecionar e tudo isso é distante da nova realidade dos alunos, atualizada a cada mês, pela invasão tecnológica que recebem (e, ao mesmo tempo, que promovem). Esta "junção difusa" não é exclusividade do Brasil e é perceptiva no interesse dos alunos de ensino fundamental por seus conteúdos e no quão rápido os esquecem. 



"Não importa o quanto custe a Máquina Estatal, desde que ela seja eficiente".
     A indignação do cidadão não está em pagar imposto para sustentar a máquina pública e sim no porquê ele precisa pagá-la, já que lhe é cobrado taxa para limpeza urbana,  pedágios para circular em boas rodovias, tarifas de planos de saúde para ter dignidade médica e mensalidade por escolas e faculdades com ensino de qualidade. Por fim, perde-se muito tempo reclamando dos custos de um Senado, das despesas de parlamentares com viagens e do conforto do chefe do executivo, quando na verdade devia-se cobrá-los que agissem e apresentassem resultados diante dos recursos que estamos lhes dispondo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Relacionamentos: como ser uma pessoa "perfeita"?

     Há poucos meses, estava viajando com um casal de amigos que havia atravessado uma crise pouco antes da viagem. Quando consegui, perguntei ao meu amigo como as coisas estavam. Satisfeito, disse-me ter corrigido seus defeitos e conseguido apontar as falhas dela, que também havia melhorado. Por ultimo, concluiu dizendo que agora, além de tudo, tornara-se um marido carinhoso e atencioso. Em outro momento da viagem, puxei o mesmo assunto com ela que repetiu parte do que ele já havia dito, porém finalizou dizendo que ele só precisaria ser mais atencioso e carinho. Pensei: "Como assim?!?!?!?!?!?!".

     Pois é, justamente o que ele acreditava ser uma melhora, ainda era um ponto que ela sentia-se insatisfeita. E o pior é que já vi o contrário acontecer (esposa afirmando ter uma qualidade justamente onde o marido enxergava um defeito). Mas onde está o problema? Os homens não entendem as mulheres ou elas são muito complicadas? Nem uma coisa, nem outra!

     Carinho e atenção não são qualidades, são sentimentos. Não é algo que você possuiu ou pode adquirir com esforço, mas sim algo que depende de como a outra pessoa percebe. Exatamente! Ninguém é carinhoso, mas sim considerado carinhoso! E isso vale para qualquer sentimento.

     Reparem o seguinte: quando um homem diz que está sendo atencioso o que ele usa como parâmetro? A opinião dele e dos amigos? E quando diz estar sendo carinhoso? É na opinião da mãe que ele se baseia? Na maioria das vezes, é exatamente o que acontece! E isso é um absurdo! Ele não tem de ser atencioso para sua esposa como é com os amigos, tão pouco carinhoso com ela, como é com a mãe. Nesta relação, a do casal, ele precisa agradar a esposa e só conseguirá isso se realmente entender o que ela considera como um homem carinhoso e atencioso.

     Quando a intenção é de agir para alguém, a melhor forma de fazer isto é pensando como este alguém gostaria que você agisse e não como você acha certo. Sua opinião, neste caso, pouco importa. Questione a pessoa, descubra o parâmetro dela e seja uma pessoa perfeita (pelo menos para ela, se você fizer isso).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Serenidade, Coragem e Sabedoria

     Apesar de já ter deixado claro que não possuo ou sigo qualquer religião, um dos ensinamentos que mais respeito e sigo foi escrito pelo teólogo neo-ortodoxo estadunidense Reinhold Niebuhr (1892–1971) e é conhecida como a Oração da Serenidade. Poderia procurá-la no Google, como fiz para "lembrar" a data de nascimento e morte do autor, mas prefiro transcrevê-la como a lembro (se recordo desta parte é por que este é o ensinamento que sigo):

Utilize a serenidade para aceitar as coisas que não se pode modificar, a coragem para modificar aquelas que pode e a sabedoria para distinguir uma da outra. Viva cada dia de cada vez, desfrute cada momento da mesma forma e, sempre que necessário, considere o mundo como ele é e não como você gostaria que fosse.

     Após ler e refletir sobre a frase, pense quanto tempo já desprendeu tentando mudar algo que não poderia mudar; quanto tempo perdeu questionando algo que simplesmente poderia ter mudado e quantas vezes ignorou sua sabedoria e evitou distinguir um evento do outro. Se encontrar muitos casos, coragem!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Frase

     Há um livro do Liev Tolstói (Ressurreição) com uma das frases mais brilhantes que já li:


É mais fácil escrever dez volumes de princípios filosóficos que por em prática um só deles

..

terça-feira, 27 de julho de 2010

O dia-a-dia é inspirador

    Trago dois exemplos que traduzem o que tentei dizer com este título:


     Dias atrás, estava caminhado na rua. Fazia o trajeto mercado-casa. Ao passar ao lado de um sinal que estava fechado, um motorista, enquanto esperava a luz verde, arremessou uma latinha pela janela. Fui até a lata, a peguei e a devolvi ao dono, dizendo "Senhor!!! Você deixou cair sua lata. Por pouco ela não fica pela rua virando lixo e entupindo bueiros". A cara de constrangimento dele só não foi maior daqueles que eu acredito se tratar de sua esposa e filho. Então, o sinal abriu e quando o carro arrancou, ele jogou a lata pela janela novamente.

***

     Onde eu trabalho, o café que servem é péssimo e nos cabe fazer nosso próprio cafezinho. Cabe ao primeiro colega que chegar a tarefa de preparar o café. Mas e quando ele acaba? Bom, ai algumas fragilidades da equipe, como a falta de iniciativa, são expostas. Dias atrás, dediquei alguns minutos do meu trabalho a observar isto. Intrigado, percebi que alguns colegas iam e voltavam rapidamente até o café. Foi então que percebi que ele havia acabado e, ao perceber o mesmo, os colegas que iam em direção ao desejado liquido escuro voltavam para suas cadeiras (talvez, na esperança de que alguém tomasse alguma atitude). Bom, levantei, coloquei um café para passar e voltei para a minha mesa. Quando a água terminou de passar, ao invés de colocar o café na térmica e limpar a cafeteira, o primeiro colega que se serviu, pegou seu café e voltou para sua mesa, deixando cafeteira ligada e térmica vazia. Pensei em falar algo, mas desta vez desisti.


     Há muitas, mas muitas pessoas pensando em resolver apenas o SEU problema. O que importa é EU me livrar do meu lixo, independente se vou jogá-lo pela janela ou reciclá-lo. Fundamental é que ele não esteja na MINHA casa. Também pouco importa se meus colegas tomarão café frio ou queimado, o que importa é EU tomar o MEU café!

     Sabem, cheguei a conclusão que algumas pessoas talvez nunca mudem (se tentarmos, ainda nos acharão arrogantes ou malas). Para não pensar que desisti de tentar fazer as pessoas mudarem, achei melhor pensar nelas como paisagens e então surgiu a seguinte frase:



Observar é a melhor ação quando se está diante de uma paisagem. Às vezes, não há o que entender e tampouco conseguiremos mudá-la.
.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Limonada na lata!

     Na ultima semana, um assunto polêmico voltou à discussão aqui no sul. Trata-se das "Escolas de Lata", como ficaram conhecidas. Para contextualizar o assunto, em Setembro de 2008, um incêndio atingiu algumas salas de aula da Escola Estadual Ismael Chaves Barcellos. A solução que o governo deu para evitar o atraso nas aulas, que iniciavam em fevereiro, foi de instalar contêineres gigantes transformados em sala de aula de maneira provisória (aquele conhecido "provisório permanente"). Os movimentos de esquerda aproveitaram o momento para alvejar a governadora de críticas. Bom, acontece que, na última semana, a avaliação Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), uma espécie de exame que avalia as escolas de 1º a 4º série da rede estadual, avaliou que uma das turmas que tem suas aulas ministradas no polêmico contêiner foi a quarta melhor do estado! E isto nos leva a uma série de reflexões.

     Boa educação não se constrói mais com infra-estrutura do que com conteúdo. Já ouvi educadores defenderem que não há como as escolas publicas serem superiores às escolas privadas em virtude da diferença de infra-estrutura que elas dispõem. Que bobagem! Não se pode associar boa educação apenas com isso, ou então determinar este fator como o de principal influencia. A diferença fundamental está na qualificação dos professores, no comprometimento dos pais e no plano de ensino da instituição. Esta foi a fórmula utilizada pela escola que obteve o êxito no exame do Ideb.

     Outro ponto importante a se refletir: por que o governo foi tão criticado por utilizar contêineres? Por causa da precariedade? Não deve ser, ou então os críticos desconhecem as condições das escolas do interior. Avaliem vocês mesmos como são as acomodações "enlatadas":



     Não quero dizer que a idéia deve ser adotada para todas as escolas, mas temos de concordar que estes contêineres são muito mais apropriados do que boa parte das escolas estaduais do interior. Bom, se é evidente que há muitas, mas muitas escolas; e, por conseguinte, muitas crianças; em condições infinitamente piores no estado, os movimentos de esquerda não deveriam focar nestas se realmente desejam lutar pelo interesse das crianças? Acontece que precariedade no interior é algo que já nos acostumamos e aprendemos a conviver, porém crianças em "escolas de lata" é novidade, e ai vende espaço na mídia! Deste modo, estes movimentos legitimam que não estão agindo em defesa dos que mais precisam e sim daqueles que lhes renderem o "ibope" desejado. Tanto é que abandonaram a causa quando a mídia começou a noticiar a "meritocracia em ensino público". Percebam como a maioria dos movimentos de esquerda (não todos, pois há muitas pessoas sérias atuando) está presente nos assuntos polêmicos e como deixam de dar espaço (em seus manifestos, em suas panfletagens ou em seus sites) para assuntos ignorados pela mídia. Apesar deste apoio flutuante, muitas pessoas se deixam influenciar e definem opiniões com base no que dizem.

     Por último, temos de analisar a posição desta escola que, apesar da dificuldade, obteve tal rendimento no exame. En tinha um amigo que sempre dizia "Deram-lhe um limão ao invés de uma laranja? Faça uma limonada!"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"A Ignorância é uma dádiva!"

     Em 1998, aos 15 anos, eu trabalhava como estagiário em uma loja de pneus. Lembro com uma riqueza de detalhes surpreendente que, com meu primeiro salário (R$120,00 na época), guardei R$30,00, gastei mais uns R$40,00 em festas e com o restante comprei um radinho. Bem bacaninha ele; da Pionner até. Mas o gasto tinha uma razão.

    Nas cidades do interior, os estabelecimentos comerciais fecham ao meio dia para que os funcionários possam ir almoçar em casa e, não diferente aos demais, o local em que eu trabalhava fazia o mesmo e todos os dias eu pegava minha bicicleta e fazia o trajeto trabalho -> casa, casa -> trabalho. Neste itinerário de alguns minutos (permitam-me a fuga gramatical), restava-me ouvir uma música para escapar da monotonia de ver sempre as mesmas paisagens. Também lembro-me bem que Skank, Biquini Cavadão e Cowboys Espirituais eram as bandas mais tocadas.

     Tinha meus 15 anos e me preocupava apenas com as novidades de trabalhar e estudar à noite. Era tudo novidade. Achava incrível sair tarde do “colégio”, ter um trabalho e ganhar um salário. Os R$30,00 que guardava tinha o objetivo de comprar alguma coisa um pouco mais cara (depois de alguma economia, acabei comprando uma réplica da Ferrari F-50 e da Lamborghini Diablo, as quais guardo até hoje). Essa era a minha vida. Simples assim!

     Hoje, conversava com uma amiga e lembrei-me daquela época. Comentava o quanto eu estava diferente, minha vida havia mudado e como tinha alcançado diversos objetivos (não quero dizer que tenho muito, porém quando não se tem nada, qualquer centavo é uma fortuna). Tomado pela nostalgia não tive outra idéia se não a de fazer uma playlist com as músicas daquela época e ouvi-las enquanto terminava o cronograma de um projeto. Então, fui tomado por uma tristeza grandiosa. Não sei bem se era trsiteza, mas era algo parecido. Talvez uma soma de “missão cumprida”, com “tenho ainda muito pela frente”, mas tudo isso dominado pelo sempre amargo sentimento de “eu era feliz e não sabia”.

     Como explicar o paradoxo de ter tudo que sonhou e conseguir sentir saudades de um passado tão simples? Foi então que percebi estar sentindo falta de ser ignorante.

     Exato, ignorante. Ignorância no sentido de falta de ciência e de saber. Por desconhecer tudo, não me preocupava com nada. Não sabia quanto era um bom salário, logo acreditava que ganhava bem. Também não sabia que existiam outros empregos, logo o meu era ótimo. Tão pouco sabia das condições financeiras da minha fonte empregadora, gerando-me idéia de estabilidade. O que dirá então do entendimento político sobre o meu país, o que me fazia pensar estar morando em um lugar perfeito. Era excluído das discussões familiares, logo, minha família era perfeita. Preço de um apartamento, de um carro ou dificuldades em tê-los também não faziam parte da minha consciência. Enfim, um alienado, porém feliz adolescente.

     Às vezes descubro coisas que não queria saber; que preferiria fazer de conta que não sei, mas geralmente é tarde demais. É simplesmente por isso que detesto fofoca, noticiário midiático, publicidade barata e futilidade cultural, porque geralmente vem associada de uma monte de informação que não irá mudar minha vida em nada e apenas me darão mais informação para diluir e, talvez, pensar a respeito. Não permita que qualquer informação roube algo tão precioso de você como sua ignorância. Abra mão dela apenas para o que realmente valer a pena, pois em breve pode concluir que a perdeu por completo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Brasil é um país de acomodados? II

     Para dar ênfase no que eu havia escrito no ultimo post, recentemente foi definida uma nova forma de divisão dos Royalties de petróleo no Brasil. Pergunto: como o deputado Ibsen Pinheiro, autor da primeira proposta que visava apenas o pré-sal, conseguiu aprovar um texto no senado para re-distribuir todos os Royalties (e não apenas os do pré-sal)? Para facilitar, farei uma questão alternativa:

a) Motim em frente à Petrobrás
b) Criticou publicamente seus colegas
c) Passeata para buscar apoio da população
d) As três alternativas anteriores
e) Atuou na Superestrutura
Gabarito: alternativa E.

     Ibsen sabia que precisava atuar na Superestrutura para que a mudança fosse alcançada. Como ele conhece bem esta camada social (porque está lá ha muito tempo), também sabia que o momento certo era em um ano eleitoral e, por ultimo, que precisaria de um apoio no Senado. Portanto buscou apoio em seu correligionário, o Senador Pedro Simon, e conseguiu uma aprovação histórica (do ponto de vista da mudança provocada e dos interesses que estavam em jogo). Estas votações polêmicas são raras, pois, ao dividir a opinião pública, elas expõem os políticos e por este motivo eles as temem (vide exemplos da reforma tributária, eleitoral e tantas outras que não saem do papel). Em um exercício de suposição, acredito que ao trazer um assunto deste para votação, os colegas de Ibsen devem ter dito “está maluco! Atacando a Superestrutura! Quer dinheiro, crie um imposto novo!”.


***

     Nossa política lembra muito aquelas empresas em que as mesmas pessoas trabalham lá há muitos anos. Todos se conhecem e não fazem nada que possam lhes expor. Preferem ficar inertes em sua zona de conforto, até por que não são cobrados de quem lhes consegue o emprego. Quando recebem um novo colega, se o perceberem cheio de motivação e de idéia, logo iniciam o discurso de “aqui não trabalhamos deste jeito...” ou "aqui as coisas são diferentes...", com o intuito de cessar todo seu ânimo, que pode expor o quanto não fazem nada (ou pior, pode obrigá-los a começar a trabalhar). Se você fosse dono desta empresa, e percebesse isso, o que faria? Demitiria os funcionários antigos a fim de criar uma nova postura? Sim? Pois é, pense nisso quando for votar em Outubro!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Brasil é um país de acomodados?

     Sabem, já ouvi diversas vezes que o Brasil é um país de pessoas acomodadas, que deixamos os governantes fazerem o que querem e nem ao menos no manifestamos. Isto até é verdade, mas em partes.

     Acontece que o brasileiro sabe como se organizar para protestar. Basta lembrarmos dos sindicatos, do MST, das ONGs e das diversas outras formações coletivas. Podemos concordar ou discordar de suas ideologias e de seus interesses, mas não podemos negar que estes grupos têm potencial de mobilização. Mas o que está errado então? Se de fato conseguimos nos mobilizar a este ponto, por qual motivo os políticos fazem o que querem? Em minha opinião, falta um pouco de filosofia em nossos movimentos de esquerda. E filosofia Marxista!

     Por mais estranho que isso possa parecer, falta mesmo um pouco de Marxismo. Acredito que eles até lêem Marx, porém da forma errada. Como o intelectual alemão escreveu sobre a necessidade de revolução nas lutas de classes, eles ignoram o resto (ou agem muitas vezes com se ignorassem) e aplicam esta parte, porém todo bom leitor de filosofia sabe que precisamos analisar o contexto histórico do autor e da sua obra.

     Quando Marx escreve isso, a Europa está no auge da Segunda Revolução Industrial e os movimentos sociais emergem a partir da exploração dos trabalhadores (proletários). Estes estão submetidos a condições como uma jornada de 80 hora semanais, por exemplo. É uma realidade extrema. É neste contexto que Marx fala em revolução e a realidade mudou muito neste sentindo. Porém Marx escreveu algo que, se analisarmos com cuidado, veremos o quão atual ainda é: a divisão social.

     Para o filósofo, a sociedade é dividida em dois grupos: a Estrutura e a Superestrutura. De uma forma bem resumida, no primeiro grupo está o povão e no segundo os governantes. Abaixo, criei um desenho para ilustrar (clique na imagem para ampliá-la):

    
     Marx dizia que a tensão entre Estrutura e Superestrutura torna-se tão forte que a Superestrutura não consegue mais reprimi-la e é arrastada por ela. Sem esta tensão não há mudanças. Ele também dizia que o burguês (dono de empresa), ao dominar os meios de produção (máquinas, matéria prima, etc), teria condições, a partir do excedente de sua produção (a mais-valia ou o lucro mesmo), de influenciar na Superestrutura fazendo-a agir ao seu interesse. Em outras palavras, é o mesmo que dizer: “quem tem grana, consegue influenciar os políticos, as leis e tudo mais!”

     Tá, mas o que isso tem a ver com os esquerdistas brasileiros e com o fato de pareceremos acomodados? Tem tudo a ver! Digamos que eu queira trabalhar sete horas por dia. Vamos analisar as duas formas de fazer isso se tornar realidade:

Júnior: O Esquerdista Marxista!
     Bom, seguindo a teoria de Marx, já que eu estou na Estrutura, só conseguirei efetivar esta mudança se eu conseguir alterar a Superestrutura, no caso, as leis! Então, preciso convencer o plenário e o senado a aprovar uma nova lei. Depois, convenço o presidente de não vetá-la! Pronto! Assim sete horas diárias serão lei e eu vou trabalhar o quanto queria! Pronto (Marx não disse que era simples, mas disse como fazer)!

Júnior: O Esquerdista Brasileiro!
     Bom, seguindo a idéia do Marx, a burguesia é o problema!!! E mais: ela é a origem dos problemas! Então, se os meios de produção passarem para o controle do povo, seremos ouvidos! Teremos voz. Precisamos de uma revolução! Logo, o que temos a fazer é atacar os grandes! Vamos parar as industrias exigindo o regime de sete horas!!! Greve! Isso, uma greve. Vamos paralisar a produção e pressionar os grandes a nos darem o que é de direito.

     Perceberam a diferença? O esquerdista brasileiro ataca a própria Estrutura. Assim como o trabalhador defende o seu interesse, o empresário também defende. E quem arbitra (ou pelo menos deveria) sobre o conflito? A Superestrutura! Este é o problema dos esquerdistas brasileiros. Fazem o certo, porém no lugar errado. A quanto tempo se houve falar de Sem Terra? E continuaremos ouvindo, pois, ao invés de invadir o Plenário ou o Senado para forçar a aprovação/votação de leis rígidas quanto à reforma agrária, eles gastam energia atacando proprietários de terra. Enquanto isto, os governantes, lá no topo, olham para estas disputas de terra como espectadores. Outro exemplo é o resultado ridículo das lutas sindicais no Brasil. Férias, décimo terceiro, FGTS não foram conquistas sindicais, foram decretos presidenciais (Getúlio).

     Quem não se lembra (ou estudou) do movimento das “Diretas Já” ou dos “Caras Pintadas” reivindicando o Impeachment do ex-presidente Collor? Foram mobilizações que deram resultado! Justamente por terem atacado o alvo certo!
     Atacar a Estrutura é atacar o meio social em que estamos e por isso nossos movimentos de esquerda não possuem tantos adeptos. Com muita freqüência, são alvo de fortes críticas. Qualquer pessoa que ataque a Superestrutura será apoiada e transformará "acomodados" em caras pintadas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Não se atire no fosso das reflexões.

Peço desculpas aos que acompanham o blog, mas os encerramentos de semestre na UFRGS têm se demonstrado cada vez mais consumidores de tempo e, com isso, vão-se os momentos para leituras ou para rabiscar  idéias. Bom, chega de "blog-diário"...

Ultimamente, aprofundei minhas leituras em organizações e em sociologia. Tomei conhecimento sobre os temas em virtude da faculdade, mas é um mundo fascinante. Aproximei-me das obras de autores como Durkheim e Foucault. Também re-li figuras como Weber e Marx. Todos, sem exceção, são fascinantes. São pessoas e pessoas escrevendo sobre eles no mundo acadêmico. Um verdadeiro mundo tal como empreguei o termo. Porém, em todo lugar rico e belo há sempre uma periferia para nos causar desgosto.

Na periferia dos artigos acadêmicos estão as interpretações. Na verdade não. Qualquer pessoa é livre para interpretar um tema como entender. O problema está nas apropriações. Ahh, sim! Estas são revoltantes. Leio absurdos sobre comunismo descritos por esquerdistas que se quer leram algo sobre Marx. Da mesma forma que freqüentemente acesso leituras de economistas classificando e julgando o Marxismo. Também leio acadêmicos defendendo seus cursos como se houvesse uma guerra acadêmica que precisa ser vencida por quem têm o curso mais complexo, antigo e importante. Mas acredito que encontrei a justificativa.

O grande problema é o aprofundamento. Sim, algumas pessoas aprofundaram tanto seus conhecimentos em um tema, que perderam a habilidade de versar sobre os demais. Outros, já estão no sexto doutorado do mesmo curso e nem se lembram mais o que lhes motivou a iniciar os estudos. Desta forma, estas pessoas tornam-se incapazes de aceitar que seus estudos ou seus temas possam estar errados (em qualquer aspecto que for; do complexo ao banal) e travam batalhas com qualquer um que ousar contrária a sua.

De qualquer forma, enquanto me resta serenidade (espero nunca perdê-la), deixo três dicas fundamentais a respeito:
1 - Se é para disputar quem faz a faculdade mais complexo, antigo e importante do mundo, recomendo: inscreva-se em uma competição de arremesso de sementes de melancia por cusparadas. O mérito dos vencedores deve ser o mesmo;
2 - Dê sua opinião, sempre, mas esclareça que ela é sua. Não tente torná-las verdades absolutas, principalmente quando você for criticar algo. Neste caso, faça uma imersão antes;
3 - Por último, e não menos importante, antes de aprofundar suas reflexões sobre um tema, não se esqueça de amarrar uma corda na cintura.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Não se ofenda facilmente

Dias atrás, presenciei uma professora dando um “esporro” em um colega. Ao final da aula, ele veio até mim e disse: "Estou put.. com ela. Fui muito ofendido! Aquela vac... me desmoralizou na frente de todos". Na hora, apenas respondi "Esquece isso. Nem foi tanto assim.", mas, depois, pensando um pouco a respeito, questionei-me: "o que a professora tem a ver com isso?". Nada! Exatamente. Ela não teve nada a ver com o que ele sentia. Vamos lá; tentarei explicar.

Primeiramente, acredito que ninguém tem o poder de ofender ou de magoar outra pessoa e sim nós é que nos ofendemos e nos magoamos. Qualquer pessoa pode influenciar para que você se sinta magoado, mas a decisão é sua. É um processo endógeno e não exógeno! Vamos a um exemplo prático.

Digamos que você esteja caminhando com seus amigos e passe por um bêbado que lhe diz: "seu incompetente, seu burro, seu nada!". Seguramente todos seus amigos irão rir de você e, por sua vez, você pensará "é um maluco mesmo!" e, talvez, até ache graça. Analisando tecnicamente, uma pessoa proferiu palavras agressivas contra você. Ok, vamos a outro exemplo. Agora, digamos que você esteja em uma sala de aula e uma professora lhe fale as mesmas palavras em frente aos seus amigos. Sua reação será a mesma? Já se questionou o por quê?

Seguramente você reagirá semelhante ao meu colega. Isto porque a forma como VOCÊ enxerga um professor é diferente da maneira como vê um bêbado. Não estou sugerindo que devemos tratar ambos da mesma forma (jamais, até porque tenho vários amigos que bebem, hehehe). Brincadeiras a parte, obviamente um professor deve ser mais respeitado do que um bebasso qualquer. Trata-se de uma autoridade moral. Uma pessoa que se dedicou e se esforçou para estar onde está. Porém, quando ela lhe ofende, ela abre mão desta moral e decide agir tal como agiria um bêbado! Coloca-se em linha com ele e é isso que precisamos perceber. Naquele momento, devido ao seu gesto, não podemos continuar olhando para ele e enxergando um professor exemplar, mas sim um bebado maluco. Ele optou por isso e não você!

Muitas vezes isto ocorrerá. Pessoas que tratamos como autoridades (sejam nossos parentes, professores, lideres, amigos e todos os outros) tentarão nos ofender. Ou melhor, fazer com que nos sintamos ofendidos (intencionalmente ou não). Só conseguiremos evitar isso se, no momento da tentativa, pararmos de enxergar a autoridade e perceber que, diante de nós, está se apresentando uma pessoa que seus gestos lhe levaram a perder a moral que conquistou.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Deus criou a Terra? III (existe vida extraterrestre?)

Lembram que menconei no post a importância do nosso sentindo e da nossa razão para encontrarmos sentido nas coisas? Pois é, veja como isto é importante.

Imaginem nós, saindo da gota (um mundo 100% formado de água) e visualizando árvores, pessoas, livros, folhas e tudo mais. Nossa razão aquática olhará para tudo isto e enxergará apenas coisas (nada além). Porém, quando encontrarmos uma possa de água, mesmo que suja e lamacenta, exclamaremos: vejam!!! Lá!!! Outro planeta!!!! E ele é gigante!!!

Por outro lado, a pessoa que estiver lendo e nos ver saindo da gota, irá enxergar apenas uma gota gerando respingos. Nada mais. Não seremos vistos como uma vida, mas apenas como uma coisa (respingos de uma gota). Da mesma acontece quando astronautas deixam o Planeta em expedições espaciais. Lá fora, por observação, concluem que o espaço é uma imensidão "poluída" por coisas (pedras, poeiras e etc). Mas por que a poeira cósmica não seria uma forma de vida? E digo mais: será que neste exato momento não estamos sendo observados como coisas?

Acho tão primitivo acreditar que vidas extraterrestres terão cabeça, tórax e abdômen; membros inferires e superiores; reprodução sexuada e demais características humanas! Quando pensamos assim, legitimamos que apenas reconhecemos como vida uma espécie semelhante a nossa (os vegetarianos que o digam, e já escrevi sobre isso). Se refletirmos um pouco mais, perceberemos que esta forma primitiva de pensar também está presente no espaço terrestre. Se alguém atropela um cachorro, fica deprimido por ter tirado uma vida. Se atropela uma árvore, a depressão é pelo estrago no carro. Isso por que olhamos para as árvores, para os rios e para a natureza em geral como coisas; como insumos. Um absurdo bizarro de indiferença!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Deus criou a Terra? II (e se a teoria do Big Bang for comprovada?)

Recebi a seguinte mensagem sobre o post anterior:

Não se preocupe que logo descartaremos ou não as suas duvidas.. isso graças ao grande colisor de hádrons... ele jogas as partículas uma contra as outras Simulando o q diz na teoria de big bang ...

Na opinião de vocês, se o experimento funcionar, teremos a comprovação empírica da criação da Terra? Vamos filosofar a respeito.

Vocês já fizeram aquele experimento de gerar um broto de feijão em um algodão (acredito que todos fizeram, aliás, acredito que deve estar no currículo do MEC, enfim...). Lembram em que conclusão chegamos? Concluímos que, utilizando apenas água e algodão, conseguimos transformar um grão em um broto (Parabéns, cientistas!). Ninguém nos disse "viram alunos, é assim que os feijões nascem!". Muitos alunos, ainda inexperientes, até perguntam se esta é a única forma, mas aprendemos que esta é apenas uma das formas (na verdade, você pode usar qualquer superfície que se mantenha úmida). Ou seja, você apenas descobriu uma forma de fazer isto.

Se o acelerador de hádrons conseguir gerar um planeta através da colisão de duas partículas de prótons, podemos dizer que estamos diante de uma possibilidade da criação da Terra (Parabéns, cientistas!), mas não poderemos afirmar que esta é a única forma. Temos então uma possibilidade (que é completamente diferente de uma certeza).

Percebam o quanto Kant foi genial! Suas idéias são atemporais. Poderemos afirmar tudo sobre o mini-planeta que o colisor de hádrons criará, pois estaremos no mesmo espaço e no mesmo tempo dele, mas continuaremos em dimensões diferentes em relação à Terra, o que nos impossibilitará qualquer afirmação definitiva.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Deus criou a Terra?


     Em sua opinião, a explicação para criação da Terra é científica ou religiosa? O planeta teria se formado pela agregação de poeira cósmica em rotação, pela colisão de partículas ou por uma entidade divina? Independente do que você diga ou afirme, você estará usando a fé.

     Fiquei um pouco confuso com esta conclusão. Perguntei-me: "Como posso ter fé considerando-me ateu (talvez agnóstico)?" Mas de fato tenho fé, assim como qualquer pessoa no mundo. Cheguei a esta conclusão ao refletir sobre duas idéia de Kant. Em uma delas, ele explica que o espaço e o tempo pertencem à condição humana, sendo atributos da nossa consciência e não do mundo físico. Já na outra, o filósofo define que a lei da causalidade é inata a nós (sempre tentaremos buscar a origem das coisas), principalmente se já tivermos desenvolvido nossos sentidos e nossa razão (experiência de vida). Tá, mas o que isso tem a ver a origem do nosso planeta? Tem muito a ver, mas ficará mais claro com um exemplo.

     Digamos que você esteja sentando à sobra de uma arvore, lendo um bom livro e, de repente, caia uma gota entre as páginas, interrompendo a sua leitura. Qual será a sua reação? Devido a lei da causalidade, e por você já ter sentidos e razão lapidados, ao passo que já vivenciou situações semelhantes, você não conseguirá deixar de olhar para cima, buscando a origem do intruso gotejo. Caso o galho esteja seco, você irá observar as folhas. Se elas também estiverem, você olhará para o céu a fim de perceber se não irá chover e assim consecutivamente até encontrar sua resposta, que aparecerá em breve. Mas você só conseguirá encontrar a origem por que a gota existiu no seu espaço e no seu tempo. Ou seja, ela começou a cair enquanto você lia o livro (mesmo tempo) e saindo de baixo da árvore e analisando sua origem você pode identificá-la (mesmo espaço). Mas e se você estivesse dentro da gota e, ao nascer, percebesse que ela encontra-se em queda livre (não fumei nem bebi nada, só faz parte da explicação)? Respondo: você não conseguiria saber a origem dela. Neste caso, os tempos não seriam mais os mesmos, pois a gota já existiria quando você nasceu. O espaço também não seria mais o mesmo, ao passo que você estaria dentro dela e, por conseguinte, sua visão não seria mais externa e periférica. Tudo que você saberia (sua experiência e razão) teria sido desenvolvido lá dentro. Mesmo que você conseguisse sair da gota e olhasse o universo ao redor dela, você não saberia para onde olhar a fim descobrir sua origem (sem mencionar que tudo que descobriria seria novo e lhe causaria incertezas ainda maiores, assim como acontece com os astronautas). E é esta a nossa relação com a Terra.

     Nascemos dentro dela e cada vez que saímos para dar uma espiada, não sabemos em que sentido devemos olhar para descobrir sua origem. Pertencemos a espaços e a tempos diferentes. O que me faz concordar com Kant, por ter afirmado que nunca seremos capazes de saber como as coisas são em si, mas apenas como elas se mostram para nós. A Terra nunca mostrou sua origem para nós. Ela não é como uma gota, na qual uma simples olhada nos fará descobrir seu surgimento.

     Portanto um livro de cosmologia está para mim como a bíblia está para um religioso. Ambos abrimos nossos livros e utilizamos a fé para acreditar no que pessoas escreveram sem que pudessem utilizar seus sentidos e sua razão para afirmarem e comprovarem, de forma empírica, suas idéias.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um povo ficha limpa

Extraído da coluna do David de Coimbra, da última sexta-feira (já dei minha opinião a respeito e gostaria de compartilhar a do colunista).



***

Fiz uma aprazível viagem à Itália, tempos atrás, a fim de cobrir uma missão econômica de empresários catarinenses.

Bem.

A folhas tantas, lá estávamos nós visitando uma empresa de reciclagem de plástico em algum bucólico lugarejo do Norte da Bota, não lembro qual, mas lembro que por perto havia igrejas e pizzas. Os italianos, empolgados, nos mostraram uma das utilidades que davam ao plástico usado, que, supunham, poderia ser empregada no Brasil.

Eram calçadas de plástico reciclado: placas retangulares de plástico duro do tamanho de uma laje de pedra, com bordas de dois ou três centímetros de altura, como se fossem tampas. As lajes de plástico tinham furos para deixar passar a água da chuva e eram encaixadas umas nas outras. Os italianos sorriam, orgulhosos de sua engenhosa invenção. Agachei-me para observar melhor a coisa. Enfiei o indicador por um dos orifícios e ergui a placa. Com ela pendurada, levantei a cabeça e perguntei aos italianos:

- Fica solta?
Eles confirmaram. Ficava solta. Pus-me de pé, balançando a cabeça:
- Então não vai dar certo no Brasil.
Os italianos entesaram:
- Por que não, Dio buono?
- Porque a turma vai levar embora.
- Turma? Mama mia, que turma?
- A turma. Todo mundo. O pessoal vai levar as calçadas pra casa.
- Mas por que catzo eles iriam fazer uma coisa dessas??? - intrigaram-se os italianos.
- Não precisa de motivo - respondi. - Eles vão fazer.

Os empresários brasileiros, mais de 20 deles entre pequenos, médios e grandes, todos concordaram comigo. É, a turma vai levar as calçadas para casa, não vai dar certo no Brasil. E assim se desfez a possibilidade de um reluzente negócio internacional.

Por que nós, brasileiros, concordamos em uníssono? Porque sabíamos que, aqui, no Patropi, enxameiam ladrões oportunistas pelos oito milhões e meio de quilômetros quadrados do território nacional. O cara não é um bandido por profissão, não anda com trezoitão na cintura, não enfia ninguém em porta-malas, mas não pode passear pela praia e ver um chinelo de dedos sobre uma esteira que dá de mão nele. Tivesse a chance, esse cara levaria para casa um milhão. Como não tem, fica com o troco errado da mercearia.

Somos todos assim? Todos nós? Claro que não. Nem a maioria de nós. Mas muitos de nós. Quantos? Ora, se fosse instado a estipular a proporção de desonestos que há no povo brasileiro diria que é, mais ou menos, à do Congresso Nacional.

Quer dizer: a democracia funciona. Nossos ladrõezinhos de ocasião estão todos representados na Câmara, no Senado e nas Assembleias. Todos com ficha limpa. Todos esperando a oportunidade de meter a mão no seu milhão.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Herói do Nosso Tempo


Gostaria de compartilhar esta dica de filme com todos: Herói do Nosso tempo (titulo original, em francês, "Va, Vis et Deviens", que significa "Vá, Viva e Transforme-se").


A partir da história real da fuga de judeus etíopes para Israel, em 1984, o filme relata a trajetória de um menino (Salomão) cristão, negro, nascido na Etiópia e que se passa por judeu para ser aceito em Israel a fim de tentar superar sua condição subumana.

Às vezes assisto filmes da Idade Média e vejo como a religião possuía poder e influencia sobre as decisões políticas. Ainda bem que não estamos mais na Idade Média...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Frases em relação ao post anterior

Aproveitando o tema do último post, vou encerrá-lo com duas frases muito verdadeiras para mim.

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.

Machado de Assis


Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.

Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O erro dos relacionamentos

Tenho uma grande amiga que acaba de superar o que ela chamou de "pé na bunda". Conversávamos pelo MSN e ela me dissera o seguinte:

"eu fiz de tudo por nós, de verdade. A minha vida era em função do nosso relacionamento...
...quando a gente terminou eu fiquei sem chão, pq não sabia nem ver tv mais sozinha".

Imagine-se solteiro (a). Bem, você possui a sua vida e ela é feita por seus amigos, sua família, seus hobbies, seus compromissos e etc. Então, um belo dia, você conhece alguém. Esta pessoa é bacana, vocês se gostam e começam um relacionamento. Aos poucos, vão passando a conviver e, naturalmente, fazendo mais coisas juntos. Até este ponto, a estória é a mesma para todos. Porém, algumas pessoas, a partir de então, deixam para trás tudo que faziam e passam a viver em função desta nova relação e é justamente este o erro.

O namoro deve ser acrescentado à sua vida e não substituí-la. Se você já possuía uma série de atividades antes, mantenha-as e apenas acrescente o namoro. Uma coisa é você deixar de fazer festas por que não está mais solteiro (a), outra, e bem diferente, é deixar de estar com seus amigos, sua família ou de fazer qualquer coisa que sempre lhe deu prazer. Ao substituir sua vida por um relacionamento, automaticamente, este passa a ser sua vida e, quando acaba, você ficará "sem chão" (como a minha amiga).

Por melhor que seja a relação, nenhuma conseguirá suportar a pressão de substituir a sua vida. Ao deixar de fazer tudo que considerava importante, intrinsecamente, delegará ao relacionamento a responsabilidade de suprir todas as suas lacunas e isto não é a sua função.

É claro que nenhuma mulher gosta de ouvir que você deixará de estar com ela para jogar futebol ou beber com os amigos. Da mesma forma que nenhum homem fica confortável ao saber que a namorada quer assistir um filme com as amigas em uma sessão Lulu. Porém isto não quer dizer que você foi "escanteado" ou que a pessoa goste mais dos amigos do que você, mas apenas que, naquele momento, preferirá fazer outra coisa. Se seus pais são separados, por exemplo, e você for visitar seu pai, isso não significa dizer que deixou de gostar da sua mãe. Apenas, naquele momento, optou em ficar com seu pai. Só isso. Simples assim!

Somente quando estamos desiludidos com um relacionamento que acabou é que não nos agrada a idéia de ter alguém. Ninguém gosta de estar sozinho, porém lembre-se de ter alguém na sua vida e não a sua vida em alguém.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Frase de Liev Tolstoi

Sem dúvida este é um autor que precisa ser lido e re-lido. Acabo de fazer um trabalho para uma cadeira de sociologia que, dada à falta de objetividade do texto, fez-me lembrar desta frase:

Quando as pessoas falam de forma muito elaborada e sofisticada, ou querem contar uma mentira, ou querem admirar a si mesmas. Ninguém deve acreditar em tais pessoas. A fala boa é sempre clara, inteligente e compreendida por todos.

.

sábado, 1 de maio de 2010

A Síndrome do Pequeno Poder

Estava eu, no supermercado, esperando a minha vez de ser atendido, na fila dos "frios" (friamberia, tipo queijo, chester, presunto, etc) quando percebi um senhor mal humorado em minha frente. O tiozinho parecia ser bem humilde (pobre mesmo), devido sua simplicidade e sua forma de falar. A mim, ele não dirigira a palavra, mas percebi que se queixava de tudo que via. Quando chegou a sua vez de ser atendido, pediu 250g de presunto. Ao pesar, a moça lhe perguntou: "pode ser 242g senhor?" e ele respondeu: "não, eu pedi 250g!".E eu ali, assistindo. Então ela acrescentou uma fatia e, adivinhe!?!?! Passou!!! E eu ali, olhando. Quando a balança mostrou os 258g, a moça tornou a perguntar: "pode ser senhor?" e ele respondeu: "você não deve ter ouvido eu ter dito 250g!!!" e eu ali, esperando. Bom para resumir, a moça se irritou e pesou 242g, cobrou por isso e deu uma fatia grátis para o "mala" que, acreditem, ainda saiu reclamando. Olhei para o semblante da moça (imaginem a expressão de alguém que está trabalhando ha horas e acaba de vencer a batalha do presunto) e me perguntei:"mas um senhor tão simples, não deveria ter empatia com alguém em uma condição semelhante a sua?". Acho que devo ter pensado alto, pois, como se estivesse respondendo ao meu pensamento, ela disse: "os mais pobres são os mais chatos! Odeio gentinha". Então lembrei da minha teoria da Síndrome do Pequeno Poder.

Quando se é pobre em uma sociedade capitalista e materialista como a nossa, você, na maioria das vezes, é destratado. O sujeito é menosprezado pela sociedade até chegar ao trabalho (seja o ônibus que atrasa e não para, seja pelo metrô "atrolhado" de pessoas ou seja pelos motoristas dos carros que ignoram respeito aos pedestres). Quando chega, seu chefe dá cabo de continuar a humilhação (há quem pense que pessoas simples e pobres detestam trabalho e, com isto, precisam tratá-las como escravas). Ao retornar para casa encontram o mesmo problema da ida e só se terão dignidade ao chegar em casa (e nem sempre isso acontece).

Se na rua ele é destratado, no trabalho é humilhado e em casa nem sempre tem o respeito que merece, quando que esta pessoa irá se sentir melhor? Quando que ele terá algum tipo de poder? Lembra que mencionei que nossa sociedade era capitalista? Pois, é, quando o sujeito for trocar seu dinheiro por algum produto ou serviço ele terá um pequeno poder. O poder do cliente!

Ahh como é bom ser cliente. Neste mágico momento tudo muda. Não importa o quanto se é imbecil ou gentil, pobre ou rico, branco ou negro, enfim. Se você é cliente, você é bem tratado. Porém, há pessoas que sofrem da síndrome deste pequeno poder. É o momento delas descontarem todas as humilhações acumuladas. Seja na moça dos frios, seja no cobrador do ônibus, seja no taxista, ou com qualquer pessoa que o trate como cliente.

Portanto, quando você for humilhado ou destratado, releve, pois você pode estar diante de alguém afetado pela Síndrome do Pequeno Poder.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pare de desejar tudo!

Quinta-feira passada, decidi ir para a faculdade de ônibus, pois, após à aula, iria ao jogo do Internacional e assim evitaria o transtorno de ter de encontrar uma vaga. Vendo-me com os livros na mão, indo para à UFRGS e todo vestido com as roupas do meu time, o cobrador (trocador para algumas regiões) do ônibus disse-me:

- "Bah, tu vai estudar na federal e depois vai ao jogo do nosso colorado. Enquanto isto, eu aqui, trabalhando até à meia-noite!" e, com um semblante irônico de que estivesse prestes a dizer "como é bom ter grana", concluiu:
- "O que eu preciso fazer para ter esta vida?"
Então perguntei:
- "Quantos anos você tem?"
- "19", respondeu o cobrador.
Para finalizar, disse-lhe:
- "Então você já está no caminho certo, pois, com a sua idade, eu era cobrador de ônibus. Muitas vezes, deixei de estar com meus amigos, com a minha família ou de fazer algo que queria para chegar aonde cheguei e também sei que ainda precisarei abrir mão de muita coisa para chegar onde pretendo. Minha vida não foi fácil, meus pais que o digam, mas isso nunca foi motivo para eu desistir. Aliás, isto sempre me motivou a querer mais".

Conversamos mais um pouco e desci em seguida. Pela cara dele, que observei enquanto o ônibus se distanciava após eu ter descido, ele certamente refletiu a respeito. Também fiz minha reflexão.

As pessoas desejam tudo! Desejam estudar nas melhores universidades, desejam os melhores empregos ou abrir sua própria empresa, desejam os melhores bens e por ai vai. Ou seja, apenas desejam. Poucos percebem que a distância entre o desejo e a realização é a ambição ou percebem e por isso ficam apenas desejando.

Quer realmente alguma coisa? Então transforme isto em ambição e faça o que precisa ser feito. Como acredito na idéia de que a sorte é quando a oportunidade encontra o preparo (já escrevi sobre isto), você sempre precisa estar preparado, pois as oportunidades irão aparecer (mesmo que você tenha de criá-las).