quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O que é Certo e o que é Errado?

     Na filosofia, os textos e os ensaios sobre ética tentaram definir, sem sucesso, o que é o certo e o que é o errado. Entre os filósofos é quase hunânime a idéia de que o tempo é o responsável por determinar se um fato é certo ou errado (algo pode ser certo em uma época e errado em épocas seguintes). No entanto atrevo-me a discordar de todos e propor que a idéia de certo e de errado é atemporal e está sim relacionada com a quantidade de pessoas que concordam com ela.

     Quando Darwin publicou "A Origem das Espécies" e tentou, com base neste livro, explicar sua teoria sobre a seleção natural, naquele momento, para todos, ele estava errado. Chegou a ser motvo de piadas ao dizer que o homem não era uma obra divida e sim uma evolução dos primatas. Se algum aluno, de qualquer escola britânica, utilizasse a teoria de Darwin em seus trabalhos de biologia eles seriam reprovados (aliás, imagine o quão interessante seria ter acesso aos trabalhos daquela época e constatar que os alunos que respondiam que a evolução das espécies tinha origem em um processo de seleção natural tiravam as piores notas, enquanto os colegas que alegavam que esta era fruto de intervenção divina tinham os melhores resultados). Hoje, a coisa é bem diferente e Darwin é assunto obrigatório em qualquer livro de biologia. O intrigante é que a teoria de Darwin não mudou de 1859 para cá. Por que agora ela está certa? Simples: por que a maioria das pessoas concorda com ela!

     Assim como Darwin provocou indignação entre os cientistas mais conservadores, ele provocou dúvida nos mais jovens. Novas gerações nascem com novas idéias e é isso que "oxigena" as mudanças de conceitos. Cada vez mais as pessoas estão abertas para novos pensamentos. Há 100 anos, ter um negro como escravo era certo, embora alguns já considerassem errado. Hoje, é completamente errado. O que mudou? Os negros e os índios são mais humanos hoje? São mais bacanas? Já sei: usam Nike e isso os torna iguais aos outros? Não, nada disso. A diferença é que ninguém mais concorda com a escravidão e por isso ela é errada.

     Portanto o conceito de certo e de errado está apenas ligado ao número de pessoas que concordam com a idéia. Se começarmos hoje a preservar o meio ambiente, a ter consciência política, a criarmos nossos filhos para serem seres humanos bem sucedidos ao invés de apenas profissionais bem sucedidos, daremos inicio a uma nova forma de enxergar o que é certo e, quem sabe, as gerações futuras nasçam sobre esta luz e possam partir dela para criar uma nova idéia sobre o que é certo. Só lamento não estar vivo para ver o que acredito ser certo sendo tratado desta forma pela sociedade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Por que você faria um concurso público?

     Na semana passada, a revista Veja publicou uma reportagem sobre os senadores que recebem aposentadorias vitalícias por terem sido governadores em seus estados. Entre as declarações, o gaúcho Pedro Simon alegou que não abriu mão do dinheiro por enfrentar problemas financeiros. Sarney (o que mais recebe e sei lá de que estado ele é) não deu declarações. E, para fechar com chave de ouro, o paranaense Alvaro Dias disse que pretende doar tudo para a caridade. Sabe, fiquei pensando: “Que cambada de babacas e de hipócritas! Os caras usam o nosso dinheiro dos impostos apenas para garantir estabilidade financeira. Trabalhar em pró da população que é bom, nada!”. Mas pensando bem,...

...quando optamos tentar a carreira de servidores públicos e, por conseguinte ter uma renda da mesma origem (os impostos) dos políticos, com qual mentalidade nós a almejamos? Com a mesma que gostaríamos que os políticos adotassem? Aqui, só entre nós, alguma vez você ouviu alguém dizer “vou fazer um concurso público para melhorar o atendimento à população” ou então “não vejo a hora de me tornar um servidor público e melhorar o serviço que prestamos ao povo”. Bobagem! Ninguém, mas ninguém pensa assim. Todos querem a estabilidade. Todos querem a chance de poder ganhar bem sem ser demitido. Ou seja, discursamos indignados, mas agimos iguais a eles.

     Aliás, todos que criticam os políticos e acham que se tornar um funcionário público, antes de qualquer outra coisa, lhes trará estabilidade, são uns babacas! São hipócritas. Discursam moral com cueca de elefantinho! É por causa de gente assim que vivemos nesse país de merda (que tinha tudo para ser uma democracia fantástica).

     É assim que vivemos. Ensinamos nossos filhos que devem tentar um concurso para terem estabilidade. Elogiamos amigos e parentes que tentam, desesperadamente, ingressar na carreira pública em pró da estabilidade. Sem perceber, alimentamos esta mentalidade patrimonialista e depois não entendemos por que a nossa situação não muda. Nada muda porque somos TODOS assim: babacas e hipócritas! Será que nossa indignação com os políticos deve-se ao fato de ignorarem a população ou simplesmente por que os invejamos?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Incoerência entre futebol e política no Brasil

     Na mesma semana, duas notícias repercutiram bastante na internet, porém com reações distintas.  Na quinta-feira, dia 03/02, circulou a foto do, agora, Deputado Federal Romário jo- gando futevôlei. Essa notícia não deveria mais "vender jornal" se não fosse o fato de ser o primeiro dia dele como deputado. No primeiro dia de sessão do cara, ele bate o ponto em Brasília, pega um vôo para o Rio e chega a tempo de jogar uma bolinha com os amigos. Alguém foi até ele falar alguma coisa? Não. Alguém, dos eleitores dele, por acaso sabiam que ele deveria estar trabalhando? Possivelmente não. E assim ficou. Nada de protesto. Nada de reclamação.

     Pois é, o irônico é que, na mesma semana, os jogadores do Corinthians, que haviam perdido a chance de disputar a Libertadores, foram recebidos com pedras e com insultos pelos torcedores. Eles reclamavam da discrepância dos altos salários com os resultados recentes do time.
     Em relação a estes dois fatos e às duas reações, só há uma coisa a dizer: é foda! Que bando de babacas que nós somos! Quando nossos times perdem, quebramos o pau e xingamos até a “mãe do Badanha”. Agora, quando os políticos fazem o que querem, nós não fazemos nada! Absolutamente nada!
    
     A propósito, se mudássemos um pouco o foco das nossas reclamações, talvez não seríamos mais uma potência no futebol, porém talvez não seriamos mais reconhecidos como o pais que mais paga impostos e que sustenta o maior folha salarial de políticos no mundo.