quinta-feira, 25 de março de 2010

O Fim dos Livros

Estava lendo a entrevista com o escritor italiano Umberto Eco (muito conhecido pelo best-seller "O Nome da Rosa", publicado em 1980), do Jornal o Estado de São Paulo, do dia 13 de março, na qual ele fala sobre o fim do livro. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança. Concordo com a idéia do autor, de que o livro é como uma colher, mas descordo que eles não mudem. Basta analisarmos a história da colher. No inicio, ela era de osso; depois, passou a ser de madeira; por último, veio a versão de metal. Ou seja, ela muda. E não será diferente com o livro.

Há pouco tempo atrás, a leitura era praticada apenas em locais isolados, tranqüilos, calmos, silenciosos, etc. Ai, com calma, você vai anotando as melhores partes do livro, as melhores idéias e assim vai. Sem dúvida é a melhor forma de ler, mas os tempos são outros. Se em 1960 tínhamos três bilhões de pessoas na Terra; hoje, temos mais de seis! Naquela época, uma pessoa sem ensino fundamental era apenas mais uma. Hoje em dia, é um desempregado. Com tanta gente no mundo, a competição ficou acirrada e, por conseguinte, não podemos esperar para ler apenas quando estivermos em um local calmo e sossegado. Precisamos aproveitar cada minuto e por isso afirmo que os livros irão evoluir.

Você já quis viajar e levar um livro junto? Ou você escolhe bem o livro, ou você leva uma mochila só para eles. Alguns, até gostaria de aproveitar o tempo de translado para ler, mas se você estiver de ônibus, terá de convencer o "motora" a ligar a luzinha (quando ela funciona); se tiver de carro, terá de convencer a todos que as luzes devem permanecer acessas para você ler (é mais difícil que convencer o tio do bus. Uma opção bastante útil é a lanterna. Já que você está levando uma mochila de livros, aproveita e já leva uma lanterna.

Outro exemplo comum é você lembrar-se de algo que leu (uma frase, uma expressão, ou algo do gênero) e não lembrar em qual livro leu. Como pesquisar? Se não encontrar nada com a ajuda do Google, tente pedir socorro aos amigos Nerds. Uma alternativa desesperadora seria sair folheando diversos livros na esperança de que as palavras lhe dêem um insight.

Os livros digitais são respostas aos "problemas" modernos. Em um aparelho com tamanho de uma agenda e espessura de um livro de 20 páginas, você consegue armazenar mais de 1000 livros. Se quiser ler no escuro, apenas aumente o contraste da tela. Se lembrar de algo que leu, vá ao menu pesquisa, digite a frase e ele irá procurar em todos os 1000 livros esta referência. Sem mencionar outros ganhos indiretos: iremos parar de derrubar árvores, economizaremos espaço (imagine o espaço para guardar 1000 livros), o custo de impressão irá desaparecer e eles se tornarão mais baratos, etc, etc, etc.

O livro ainda está na sua primeira versão (a impressa) e em breve teremos a próxima (a digital). Não há como fugir. A nossa necessidade fará desta mudança inevitável. A propósito: será que os escritores que defendem os livros impressos ainda usam caneta ou máquina de escrever para redigir seus livros? Talvez, a necessidade deles os tenha feito mudar de tecnologia também.

Um comentário:

  1. Mais um problema dos livros atuais: a impossibilidade de aumentar o tamanho da fonte e fazer com que a leitura à noite não seja tão problemático para os “ceguetas” como eu!

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