quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Futilidade e Carnaval X Conhecimento e Trabalho

Quanto mais acredito que sou reflexivo, mais percebo que paro de refletir. Parafraseando Sócrates acredito que "hoje, refleti por não ter refletido".

Entrei no Orkut para avisar meu pai que no final de semana vou a Montenegro e percebi diversas fotos de amigos (as) carnavalescos (as). Alguns, aproveitando a folguinha para fazer festa, porém, outros, mantendo seu padrão de boemia.

Passei meu feriadão inteiro trabalhando e isso não foi nem um pouco custoso. Tenho objetivos profissionais e sei que precisarei abrir mão de diversos outros feriadões para alcançá-los, mas foi inevitável ver as fotos daqueles que sempre estão fazendo festa e considerá-los fúteis. Então, percebi que não estava refletindo.

Fútil, por definição, é tudo aquilo que é inútil. Ao ver as fotos tive certeza que aquelas pessoas estavam tornando sua existência inútil. Jamais deixariam um legado ou se quer teriam uma vida se não fosse as festas. Notei que estava querendo impor minha opinião, afinal, será que todos desejam ser profissionais respeitados e pretendem deixar um legado acadêmico?

Existem pessoas que pensam um monte de merda de mim. Acham que sou maluco por trabalhar tanto, que quero ser exibicionista por tentar fazer tantas coisas ao mesmo tempo e que tenho "sorte" por estudar em uma universidade federal. Tudo bem, pois não ligo muito. Qualquer um tem o direito de pensar o que quiser. Dependendo do que eles me falem, eu tenho o direito de me ofender, mas sempre procuro abrir mão deste. Sou feliz agindo desta forma, pois a escolhi.

Do mesmo modo, as pessoas que julguei fúteis podem ser absolutamente felizes agindo como agem. É possível que elas se olhem e também não enxerguem nada errado. Pensar que o meu modo de conduzir a vida é o correto e que o alheio é o errado é uma forma de querer padronizar o comportamento das pessoas ao modo que eu julgo correto. Em nossa era, quem quis fazer o mesmo foram figuras como Stalin, Mao Tsé-tung e Hitler. Não posso ser igual a eles. Aliás, ninguém deveria ser.

Alguns filósofos gostavam de considerar o ser reflexivo, pensante e questionador como um ser superior, devido a sua busca incansável por conhecimento. Acredito que eles pensavam desta forma, por que lhes convém a classificação privilegiada. Eu prefiro pensar que o importante é você se sentir satisfeito, feliz e realizado. Se for preciso gastar todo o seu dinheiro em balada ou em livros, pouco importa, desde que se sinta bem. Neste caso, o mais assertivo foi o poeta romano Juvenal, que definiu que tudo que as pessoas precisam desejar na vida é "mente sã em corpo sadio" (do latin, "men sana in corpore sano"). E qual é a melhor maneira de conseguir isso? Bom, pode ser com festas, pode ser com trabalho e pode ser com estudo, se o objetivo for este, todos estarão no caminho certo!

5 comentários:

  1. Oi Júnior

    confesso que não consigo comparar as duas coisas no mesmo patamar. Direitos todos tem de fazer aquilo que bem entendem, mas festa e trabalho ou estudo não podem se encontrar no mesmo nível. A pessoa está feliz, mas o que a festa lhe trouxe de bom? Uma pegada, um porre, encontro com os amigos. Ok, já achei isso legal, mas festas e baladas não te trazem nada de eterno, nada que realmente vá agregar. Dependendo do ponto em que você se encontra da sua vida, sim caranaval é diversão, e até não é justo existirem tantas preocupações. Mas é incomparável ao benefício de aproveitar este tempo que este feriado sem sentido real proporciona, com o legado que você leva do seu trabalho, lendo ou estudando. A vida chega em um ponto que a refelxão faz perceber que uma hora o carnaval em SC não será o suficiente, você enjoa, quer mais. Mas com que dinheiro você pretende fazer isso? Pode até estar velho demais para aproveitar o dinheiro, mas não acredito que quem se antecipe e batalhe por seus objetivos o quanto antes não poderá aproveitar estes 4 dias de uma forma muito mais legal. Se é para curtir, como uma viajem sonhada, aprendendo sobre novas culturas, não se prendendo sempre a mesma cultura, ou seja, a nossa.
    Você nunca será considerado louco por trabalhar no Carnaval, ou estudar. Isso não é correto, como vc mesmo afirma. Loucura é chegar aos 40 anos e não ter nada, nem conhecimento, nem estabilidade, o que por consequência trás uma tremenda infelicidade.
    O ser reflexivo tras isso...ele pensa nos três tempos verbais, e isso faz toda diferença.

    abs

    ResponderExcluir
  2. Mas será que a realização de uma pessoa aos 40 pode ser traduzida pelos seus bens materiais? Do que vale um diploma se ele lhe deixar louco, lhe custar a familia e lhe impedir de visitar os lugares que sonhou estar aos 20?
    O fato de todos concordarem com algo não o torna correto e verdadeiro. Somos um país de colonização euroupeia e, trabalhar para os primeiros povos, foi sinonimo de prosperidade. Quem fazia festa eram aqueles que nada teriam um dia. Porém, se você nasceu na europa, seus antepassados cultivavam a cultura ao invés do trabalho (naquela época, a revolução industrial assutava as familias). Será que não herdamos estas culturas??? Será que não somos o seu reflexo evoluído???

    ResponderExcluir
  3. Ai te respondo: e o meio-termo? Realizar as coisas, ter bens, ninguém fala de ficar rico, mas de construir algo. Nunca pensei em trabalhar pra ganhar dinheiro, ou ficar rica,sempre pensei em trabalhar para poder viajar e conhecer realidades diferentes da minha. Se assim o quisesse talvez sucumbiria ao poder, aos desejos de meu pai de fazer Direito e me tornar uma pessoa poderosa e com dinheiro, pois acredito que com minha capacidade conseguiria passar em um concurso destes , que tem aos montes. Acredito sim, na boa escolha profissional, para ela ser um prazer e não um fardo, para quando tiver um feriado ou no semanal "fim de semana" eu não estar deseperada pra que chegue logo. O trabalho enobrece, mas só enobrece se a escolha for bem feita.
    E tem mais, ser feliz e viajar sem precisar trabalhar é uma opção fácil de escolher. ter tudo e não precisar empregar um minuto do seu tempo pra isso também é uma opção.

    Ser feliz assim...também é uma opção.
    Na verdade o que eu realmente quero dizer é que, como vc diz no post anterior, gosto é gosto, e será que optar por achar tudo isso fútil não é um direito de cada um também?

    Nem todos precisam filosofar para entender o que é melhor para as pessoas. Nem toda postura é nazista ou stalinista. Como vc mesmo disse, também é uma opção minha não apreciar mais passar meu tempo fazendo baladinhas. também é uma opção minha, por ser mais velha, ver o tempo que perdi com isso, pois já fiz. Aos 20 viajei sim, curti, sim! Mas podia ter aproveitado várias coisas ao mesmo tempo e não ter desperdiçado totalmente minha energia nisso.

    Voltando lá ao inicio da resposta:e o meio termo?

    ResponderExcluir
  4. Exatamente este é o ponto!
    Optar por considerar tudo isto fútil é sim uma opção. Na verdade, é uma impressão. Como define Lock, as impressões secundárias são geradas com base na nossa vivência. Se você mostrar umas grades para uma babá, ela poderá considerá-las bonitas, agora se você mostrar as mesmas grades para um homem que ficou 30 anos preso, o significado mudará. O carnaval (que, por qualidade sensorial primária, nada mais é do que uma festa anual brasileira) gerará uma impressão (qualidade sensorial secundária) para um folião e outra para você. Quem está certo? Ninguém, pois ambos estã ocertos!
    Tanto eles estão certos em considerar que só loucos não saem as ruas, como você em considerá-los fúteis.

    Sacou o ponto?

    ResponderExcluir
  5. Acredito que tudo é relativo mesmo. A Felicidade você não encontrará somente em conquistar coisas, ou viajar, ou fazer festa. Felicidade é um estado de espirito, de sentir-se bem. Conheci certa vez um morador de rua que me deixou chocado inicialmente ao contarme que era formado, tinha trabalhado em grandes empresas, tinha tido uma casa, carro do ano, mais que nada daquilo lhe trazia felicidade. Em um relapso, diriamos nós, em um momento de loucura, deixou tudo que tinha para viver na rua. Segundo ele, eu até poderia achá-lo louco, mas que nunca tinha sido tão feliz em toda sua vida por poder viver sem o stress de manter tudo o que sempre buscou. E então, o que me diz?
    Acho que cada um deve buscar a felicidade de lhe convir. Se fazer festa no carnaval com os amigos, lhe trará felicidade, parabéns! Se for trabalhando, perfeito. Agora a grande questão é a seguinte: Devemos fazer o que achamos ser melhor, ou aquilo que será melhor para nós e para os que estão a nossa volta? Será que quando alguém espera que você vá curtir o Carnaval junto em uma festa e você decide que será melhor trabalhar, não estará tirando a felicidade de alguém? Acho que o melhor mesmo é relativizar. Neste caso não existe uma verdade comum. Todos estão corretos ao seu modo de ver.

    ResponderExcluir