quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Portadores de Deficiência - Mudando para ficar igual


     

     Para quem não sabe, ontem, nossa presidente Dilma referiu-se as pessoas com deficiência como Portadores de Deficiência. e, logo após, precisou se retratar e chamá-los de Pessoas com Deficiência. Pois é, assim que soube, ecoou em mim um grandioso e um sonoro "e dai?!?!"

     Após passar por duas cirurgias ano passado e ter ficado seis meses andando de muletas, o que menos importava para mim era se iam me chamar de portador de muletas ou de pessoa com muletas. Eu realmente queria que aquelas malditas portas que abrem para fora não existissem. Que os degraus em dias de chuva não me impedissem de circular. Ou então que as vagas para deficientes físicos não fossem ocupadas para deficientes mentais nos estacionamentos.

     Senti, durante pouco tempo, o quanto convivemos em uma sociedade despreparada para deficientes. Lembro que precisei fazer uma prova na faculdade usando muletas e ganhei bolhas nas mãos por ter de andar quase 300 metros de muleta e subir dois andares de escada. tente pegar um ônibus de muleta. Agora, imagine um ônibus usando cadeira de rodas. Sua dignidade é tão corrompida que o seu único desejo é o de permanecer em casa. No entanto, quando assisto no noticiário o que repercutiu de um fórum sobre inclusão, vejo um publico vibrando por um pedido de desculpas por terem sido chamados de Portadores de Deficiência.

     E daí que apenas um vigésimo das linhas de ônibus estão adaptadas e com profissionais preparados para o apoio necessário. E daí que as organizações só se adaptam para os deficientes por coerção da lei? E daí que a educação não é inclusiva? O que realmente importa é o pedido de desculpas. Tenho certeza de que muitos que sentiram a sua dignidade massageada pelo pedido, a perderam logo em seguida, quando foram para casa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Não acredite em tudo que você ouve



     Se eu pudesse destacar um aprendizado que tive nos últimos anos, seria esse: não acredite em tudo que você ouve. Sempre cheque as informações! Há um abismo entre ser critico e não confiar nas pessoas e estou me referindo a ser critico. Neste caso, o assunto é política. 

     Tenho acompanhando o processo eleitoral à prefeitura de Porto Alegre e chamou-me a atenção dois fatos trazidos pela candidata Manuela D'Ávila: ter sido apontada como uma das 100 parlamentares mais influentes do Brasil e ter uma trajetória política de sucesso iniciada aos 16 anos. Então, fui checar ambas as informações.


100 mais influentes

     Descobri que a lista é feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), um departamento com o objetivo de transformar em normas legais as reivindicações da classe trabalhadora. Ou seja, um departamento de "esquerda", assim como os partidos de "esquerda": PT, PSOL, PSTU, PC do B, etc.
     Resumindo: eles (um departamento de esquerda) elegeram a Manuela (que pertence a um partido de esquerda) uma das 100 mais influentes parlamentares. Algo errado nisso? Só chequei a fonte.


A carreira política

     Acessei o site da candidata e, de lá, coletei as informações sobre sua carreira. Há uma linha do tempo bem bacana lá que ilustra suas realizações, porém a maioria diz respeito a presidir comissões e liderar bancadas. Vamos deixar claro que isso é meio para se fazer bem feitorias. Se disso não resultar projetos que melhorem a condição pública, serviu apenas de palanque. Também encontrei "feitos" como votos em projetos de lei. Ora, parlamentar dizer que aprovar uma lei é uma realização é o mesmo que um frentista dizer que é um profissional diferenciado por que abastece carros.

     Com bastante atenção, encontrei quatro realizações políticas:
     - Foi relatora da Lei do Estágio (lei que assegura novos direitos aos estagiários);
     - Construiu e relatou o Estatuto da Juventude (financiamento estudantil a estudantes de escolas publicas);
     - Foi relatora de Vale Cultura (inventivo a produtores culturais);
     - Apresentou projeto para todos terem acesso a biografias de personalidades brasileiras.


Conclusão

     Nem vou entrar na questão dos 100 mais influentes. Listas que não sejam baseadas em critérios técnicos é um ótimo exemplo para a frase "comparar maçã com banana" (ainda mais quando quando pode haver interesse no meio). Sobre a trajetória política, não concordo que apenas quatro realizações, sendo duas ligadas à cultura e outra a estágio (não que não sejam importantes, mas questiono se são prioritárias), sejam suficientes para serem apontadas como sucesso em uma carreira com mais de 13 anos. Aliás, também questiono se são suficientes para elegerem alguém como prefeito de uma cidade do tamanho de Porto Alegre (embora 21% da população acredite que sim). Portanto reitero a dica que  sigo até hoje: não acredite em tudo que você ouve. Acrescento: não baseie suas decisões em discursos mais do que em fatos.


Foto de Joelma Terto.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Rio+20 é como uma conferência de criminosos tentando criar um Código Penal



     Por mais que se queira crucificar os países desenvolvidos, não há santo neste altar. De um lado, estão os países subdesenvolvidos liderados pelo Brasil. Sim, o mesmo Brasil que aumenta a tributação de bicicletas e reduz o IPI dos automóveis. É, o país do transporte público desmoralizante (ineficiente apenas soa como elogio para o que temos) e dos veículos sem fiscalização de condições de tráfego. De outro, os desenvolvidos, representados por China e EUA, que agem como alguém que não quer ir a uma festa e diz “só vou se o Fulado (o cara que nunca saiu na vida) for”.

     Ninguém está dando a mínima sobre políticas ambientais sustentáveis naquele evento. É um jogo político cretino, no qual os países mais pobres tentam criar políticas de desaceleração do crescimento para os países mais ricos, enquanto os riscos falam em parar o desmatamento para os pobres (lê-se, também, desaceleração do crescimento). Toda esta podridão envelopada de atitude pró-ambientalismo. É tanta hipocrisia que se fala em preservar o planeta e não os humanos. Estes sim irão morrer sem recursos naturais. O planeta observará sua vegetação sendo reconstruída naturalmente (após alguns bilhõezinhos de anos, é claro), quando seu único parasita sucumbir à sua própria ganância.

     Não há moral naquela cúpula para se chegar a uma conclusão sobre preservação ambiental. Estas conferências ambientais só terão resultado no dia em que o amadurecimento humano for tão grande que criminosos possam se reunir para criar um código penal justo e imparcial (porém acho que isso vai levar bem mais do que só alguns bilhõezinhos de anos para acontecer).

domingo, 15 de abril de 2012

Um dia, eu superei o Birinha!


     Quando criança -não mais do que 10 anos de idade- havia uma pista de BMX próxima a minha casa -na verdade mesmo, era um terreno baldio que nós, a criançada, tinhamos tomado conta, cortado o mato e construído uma pista-. Era muito divertido aquilo. Corríamos entre uns 12, no mínimo.  Organizava-nos em times de dois “infanto-atletas”. O meu parceiro de equipe era o Fábio. Éramos muito bons, porém nunca ganhávamos do time do Birinha. Não lembro quem era o outro integrante da dupla do Birinha, mas isso pouco importa. Quem ganhava mesmo era ele, o Birinha. Sempre chegávamos em segundo. O vencedor de todas baterias era ele, sim, o Birinha.

     Um dia, um amigo que não corria conosco apareceu na pista e pediu para correr. Como precisava ter uma dupla para isso, o Fábio permitiu que ele corresse comigo. O nome deste amigo era Alexandre, o Cabeça. Na primeira corrida ele só observou e quis dar o meu melhor para ele ver que teria um parceiro de peso na sua recém formada equipe. Fiquei na melhor posição possível: segundo lugar -o primeiro, é claro, era do Birinha-. Então, entusiasmado com a minha "vitória" fui conversar com o Cabeça e, para minha surpresa, ele estava irritado comigo.

     Sim, ele se aproximou e, em uma memória ainda colorida para mim, disse: "Por que não passou??? Ficou passeando atrás do cara ao invés de passar!!!" e eu respondi "Ora por que não passei? O cara é o Birinha!". "Grande coisa ser o Birinha! Vou te mostrar como se faz", respondeu ele. Então, o Cabeça pegou a bicicleta, foi para um bateria contra o Birinha e, para surpresa geral dos competidores, ele ganhou a corrida!!! Sim, o Mito havia sido batido. Após ganhar, ao invés de dar oito voltas olímpicas, fazer dancinha e tudo mais, o Cabeça apenas caminhou para a minha direção e disse "Viu cuzão! É só passar o cara e não ter medo". Depois daquilo, eu e o Fábio nunca mais perdemos para o Birinha.

***

     Semana passada, ministrei um Workshop/treinamento para uma equipe lá da RBS. Basicamente eu falava como o profissional deve se portar diante de uma demanda -seja um projeto grande ou seja um projeto pequeno-. Como deviam questionar e não ter receio de não conseguir entregar. Algo, no meu entendimento, normal. Uma das colegas que participou veio até mim e disse "Júnior, este treinamento mudou a minha vida! Concordo com tudo que você disse e percebi que não estava agindo da forma certa. A partir de agora tudo vai ser diferente”. Pensei para mim "Ela poderia ter feito isso sem eu ter falado nada. Mas é interessante como as pessoas, muitas vezes, têm potencial para algo e não o fazem até que alguém lhes diga que são capazes e lhes demonstre que é possível fazer".

     Estava eu, orgulhoso por ser um cara que nunca precisou que me dissessem que eu era capaz, pois sempre encarava meus problemas sem medo. Considerando-me "fodão" por ter nascido assim. Então lembrei de como consegui superar o Birinha.

***

     Moral da história: você sempre precisará de ajuda para superar seus medos e enfrentar suas dificuldades -mesmo sendo capaz de fazer isso-. A diferença está em quando aparecerá uma pessoa na sua vida disposta a lhe ajudar ou quando você dará ouvidos a ela. Se você pensar diferente, acreditando que nunca precisará de ajuda e ignorando aqueles que estão dispostos a de fato lhe ajudar, você corre o risco de estar chegando em segundo e considerando isso uma grande vitória.

terça-feira, 27 de março de 2012

Encare os fatos: ficando na média, você será apenas medíocre.

     Digamos que você esteja em uma corrida e seu tempo, volta após volta, seja igual ao tempo da maioria. Não há nada errado nisso. O problema é você ter este resultado mediano e acreditar que isso é o suficiente para ganhar a corrida.

     Quando eu trabalhava na empresa Processor (uma empresa do ramo da Tecnologia da Informação aqui de Porto Alegre), eu tinha um colega que quase me inspirava de tantas ambições. Ele possuía um plano elaboradíssimo para obter várias certificações (no mercado da tecnologia, algumas certificações são até mais importantes que um diploma universitário). Ele possuía uma lista com data e com nota esperada para cada prova que pretendia fazer. Achei aquilo incrível. Todas aquelas certificações eram algo para caras muito acima da média. Eu realmente admirava aquele cara. Então os dias, os meses e até os anos se passaram e as certificações dele ficaram lá, na listinha. Nada aconteceu. Sabem por quê? Porque ele seguiu sua rotina como a maioria das pessoas segue: estudando três ou quatro dias por semana, jogando a bolinha do final de semana e fazendo o churrasquinho de sempre com os amigos.

     Algo errado nisso? Não, mas vamos aos fatos. Se você fizer apenas o que a maioria das pessoas fazem, você automaticamente estará onde a maioria estará, ou seja, na média. Sim, você será mediano; medíocre. Há algo errado nisso? Não, nada! Desde que você se conforme que nunca terá uma posição de destaque e será sempre um comum a mais (seja na sua turma da universidade, seja nos seus relacionamentos, ou seja na sua carreira).

     Não espere fazer o que todos fazem e atingir resultados incríveis. Admita que, desta forma, lhe resta apenas a mediocridade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Dica de Filme!!!

     Assisti, dias atrás, um filme que realmente precisava recomendar: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

     Não sou muito fã de cinema francês, mas este filme é muito bom. Sabe aquele tipo de filme que quando uma cena fica escura você pensa "não, não...   ...vai terminar! Droga!!!". Pois é, este filme é assim.

     De tudo, o filme deixa a mensagem de como a rotina pode ser prejudicial a qualquer pessoa, como as nossas idiossincrasias podem não ser tão idiossincráticas e como nossa vida pode se tornar extremamente atraente sem precisar deixar de ser simples.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cotas na UFRGS: A Hipocrisia do Favorecimento

     Este ano, a UFRGS estendeu as cotas para negros em seu vestibular e, como era de se esperar, todas as discussões, de quando as cotas foram adotadas, retornaram.

     A polêmica do tema está na diferença das notas dos negros para brancos. Em resumo, os brancos de notas altas e que não conseguiram acesso à universidade revoltaram-se com o fato de negros, em muitos casos com notas até 25% inferiores, terem obtido uma vaga. Birrinhas mimadas a parte, lendo o que acabei de escrever, refletindo um pouco sobre estarmos em 2012, não parece um certo retrocesso separar as pessoas por cor? Li uma charge, dias atrás, que ilustrava exatamente isso. Ela mostrava o diálogo entre o neto e o seu avô. O avô dizia "meu neto, você não sabe o que é racismo. Saiba que,  no meu tempo, metade do cinema era destinado aos negros e metade aos brancos" e o menino responde "Sei sim vô, no meu tempo, 75% da universidade é destinada aos brancos e 25% aos negros".

     Em resumo, não há como discordar que este assunto fomenta o racismo (afinal, estamos segregando a sociedade em raças e usando esta segregação para aplicar privilégios). Então, outra lógica que surge é que algo que fomenta o racismo deve ter sido criado por racistas, correto? Errado! Os principais defensores das cotas são grupos que lutam pela igualdade racial (cara, isso tudo é muito confuso).

     A explicação dos defensores deste sistema baseia-se na necessidade de reparação aos danos causados aos negros do Brasil escravista, que também não lhe proveu iguais condições de trabalho após a abolição da escravatura. O problema é que esta forma de reparação aumenta o racismo. Mas por que um grupo que é contra o racismo, aceita um sistema que aumenta o racismo? É o que eu chamo de A Hipocrisia do Favorecimento. Funciona mais ou menos assim: a pessoa é contra algo. Ela defende e apoia todos que também forem, no entanto, se ela levar algum benefício, não se importa mais tanto assim com aquilo e até encontra motivos para, agora, defender seu novo ponto de vista. Para ficar mais claro, uso o exemplo das empresas: pense naquele seu colega que dedica boa parte de seu dia criticado as regalias que a empresa dá aos cargos de liderança. Ela critica a empresa, os que aceitam, o RH e todos mais que estejam envolvidos. Ai, um belo dia, o sujeito torna-se um líder (chefe, no caso). No dia seguinte ele passa a ser o primeiro a arrumar justificativas para as regalias.

     Políticos são assim, empresários são assim, trabalhadores e funcionários públicos são assim (brincadeirinha, amigos funcionários públicos), estudantes e até os defensores das classes minoritárias. Enfim, todos abandonam suas causas primárias se haver uma forma de serem beneficiados. Cabe-nos apenas acompanhar mais um exemplo da nossa própria hipocrisia.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva dos posts

Não foi um ano de diversos posts, eu sei, mas verdade que alguns foram bem bacanas. Compartilho com vocês alguns deles:





Observem os Hamsters!
http://taosofia.blogspot.com/2011/08/observem-os-hamsters.html



11 de setembro: para alguns, os EUA não são as vítimas
http://taosofia.blogspot.com/2011/09/11-de-setembro-para-alguns-os-eua-nao.html



Por que não conseguimos conviver em sociedade (um dos motivos)?
http://taosofia.blogspot.com/2011/08/por-que-nao-conseguimos-conviver-em.html



Pare de copiar e colar frases prontas só para parecer inteligente!!!
http://taosofia.blogspot.com/2011/08/pare-de-copiar-e-colar-frases-prontas.html



Exploração da mão de obra ou novo comunismo?
http://taosofia.blogspot.com/2011/05/exploracao-de-mao-de-obra-ou-novo.html


Definitivamente, seu problema não é o maior do mundo!
http://taosofia.blogspot.com/2011/01/definitivamente-seu-problema-nao-e-o.html


Terminou a faculdade? Bacana! Próximo passo, melhorar de emprego, não é?
http://taosofia.blogspot.com/2011/01/terminou-faculdade-bacana-proximo-passo.html


Aborto: se for irresponsável, seja até o fim!
http://taosofia.blogspot.com/2011/07/aborto-se-for-irresponsavel-seja-ate-o.html


Por que os ciclistas não aprendem com os gays?
http://taosofia.blogspot.com/2011/07/por-que-os-ciclistas-nao-aprendem-com.html


Somos Selvagens
http://taosofia.blogspot.com/2011/05/somos-selvagens.html


Apenas uma frase sobre a morte de Bin Laden...
http://taosofia.blogspot.com/2011/05/apenas-uma-frase-sobre-morte-de-bin.html

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Você sabe se é preconceituoso?


Já vi diversas pessoas postando este desenho no seu Facebook. "Bunitinha" a mensagem né? Então...

...quando for adotar uma criança, adote um negro...
...quando estiver com outras pessoas e ver um amigo gay, não faça de conta que não conheça...
...aceite o fato de um Judeu não confiar em você para fazer parte da familia dele por esta ser a sua crença pessoal e...
...entenda e respeite (não disse que precisa concordar) os motivos dos católicos em terem opiniões sobre células tronco e aborto.

Tenho certeza que isso é bem mais efetivo do que a imagem acima.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As universidades no Brasil são uma piada!



     Há um mês, assisti um documentário sobre o modelo de ensino em Cambridge. Sabe quando você assiste a um jogo do Barcelona e lembra do seu time? Pois é, foi assim que me senti.
  
     O que deveria ser o berço das ideias e da criatividade, em nosso país, é o antro da mediocridade e da ineficiência. Cada vez mais torna-se responsabilidade das organizações (como as empresas) a responsabilidade do ensino.

     Mas as universidades não são apenas medíocres. Elas também legitimam a mediocridade. Não há nenhuma diferença de tratamento entre o cara que tira um 8,9 (um "B") para o cara com 6 (um "C"). Ninguém será laureado com estas notas e ambos seguirão o curso. Todo ser humano é dotado da força instintiva do menor esforço. Durante milênios ela manteve nossa raça viva e hoje segue intrínseca a nós. Ou você já viu alguém usar o caminho mais longo para um destino sem ter nenhum motivo para isso? Foi esta mesma força que fez a maioria das pessoas rolar a página até o fim deste post para ver se era muito grande antes de começar a ler. Pois é, esta é a "lei do menor esforço". Então o que vocês acham que acontecerá em uma universidade? A esmagadora maioria dos alunos seguirão suas vidas normalmente, estudarão na noite anterior à prova e ficarão contentes se tirarem um 6 ou um 7,5, respeitando assim a lei que por muitos anos nos manteve vivos e que hoje nos mantém ignorantes.
 
 
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     Certamente você já teve de fazer algum trabalho em grupo na faculdade? Há algo mais credito do que isso? Dias atrás, perguntei para uma professora por que eles pediam trabalhos em grupo ao invés de individual e, para minha pouca surpresa, ela me respondeu: "se fosse individual não daria para fazer as apresentações e eu teria de corrigir um trabalho de cada aluno. Ia terminar as correções só no outro ano e preciso entregar as notas até o dia 12". Dá para acreditar nisso? Ou seja, o modelo de avaliação dos alunos não está baseado no melhor modelo que avalie o seu conhecimento, mas naquele que trará menor esforço aos professores!!! Que merda meu!!!! Odeio mediocridade.

     Não há nada mais cretino e imbecil do que estes trabalhos. Primeiro que, quando falta uns 5 ou 2 dias para entregar, alguém do grupo manda um e-mail dizendo "pessoal, temos de fazer o trabalho". Ai, decidem que cada um fará uma parte (sim, como é em grupo e somos dotados da lei do menor esforço, independente das outras partes serem pertinentes ou não, cada um fica com uma e ignora as demais). Depois, eles juntam aquele quebra-cabeça cubista e fazem uma apresentação em que cada slide tem uma fonte diferente, um padrão de imagens diferentes e que ninguém mal sabe o que precisa ser dito. Então, como os alunos fizeram de conta que aprenderam, os professores cumprem a sua parte no pacto da mediocridade e fazem de conta que ensinaram alguma coisa para aquele trabalho e avaliam todos do mesmo jeito: se no trabalho tiver tudo que foi pedido, levam 10 ou 9. Se não tiver tudo a nota irá variar de 8 a 4 (dependendo do que faltar, dos erros de português e do quanto o Wikipedia foi integralizado ao trabalho).
 
 
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     Eu poderia escrever um novo post apenas para falar da provas, mas elas são tão patéticas, tão inúteis para avaliar um aluno e tão desprezíveis, que de fato desprezarei qualquer comentário sobre elas.
 
 
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     Bom, mas a vida segue e assim seguimos. Cada fez mais pessoas vão às universidades em busca de um canudo e depois procuram um emprego em busca do aprendizado.

domingo, 13 de novembro de 2011

Os estudantes da USP e os taxistas de Porto Alegre


     Aqui em Porto Alegre, quem controla o tráfego de veículos é uma empresa pública chamada EPTC, cujos fiscais recebem o apelido de "azulzinhos", em virtude da cor de suas fardas. Quando dirijo em locais onde os motoristas geralmente se comportam como se estivessem disputando uma corrida, e vejo um azulzinho, me bate aquela alegria sarcástica e fico pensando enquanto olho para os motoristas que agora se comportam como ovelhinhas "faz agora, seu desgraçado!". Adoro quando os fiscais estão nas ruas, porém nem todos gostam.

     Adivinhem quem, entre os grupos de motoristas, mais detestam os ditos. Para facilitar, darei alternativas:
1 - Motoristas que usam o carro para ir ao trabalho, faculdade e levar os filhos a escola;
2 - Turistas, idosos que passeiam e motoristas de finais de semana;
3 - Taxistas, motoboys e motoristas de lotação.

     Acredito que todos acertaram que o terceiro grupo detesta os fiscais. Mas por quê? Pois é, por serem os piores motoristas. Os mais infratores. Eles dirigem como se as ruas fossem deles ou se a sua necessidade de usá-la a trabalho fosse mais digna ou importante do que a dos demais. Por eles, não teríamos fiscais nas ruas. Inclusive até protestos para isso eles já realizaram.

     Impossível não relacionar este caso que citei acima com o dos estudantes da USP, que, ao invés de ver nos policiais segurança, vêm repressão. Se refletirmos um pouco, encontraremos a conclusão de que o único motivo de alguém que defende a lei reprimir a sua liberdade é se suas ações são criminosas.

     Mas e se a lei estiver errada? Bom, ai é tema para outro post, mas adianto minha opinião a respeito: post sobre Marx (e o mais curioso é que os principais grupos de estudantes envolvidos são alunos de filosofia e de história).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perdemos o melhor Pirata.

   
  Em 2003, quando fazia minhas primeiras aulas sobre sistemas e redes de computadores na Ulbra, um professor decidiu apresentar um filme para a turma: "Os Piratas do Vale do Silício".
    
     O filme é tão clássico para quem é de TI, quanto o Woodstock foi para os hippies. Lembro que após assistí-lo fiquei impressionado com duas coisas: o quanto a adaptação feita da frase de Lavoisier (na vida nada se cria, tudo se copia) fazia sentido e com o tal do Steve Jobs. Falei para o professor "como pode? Esse tal de Jobs então que é o gênio da nossa época e não o Bill Gates???. Tá certo que ele também copiou ideias, mas ele pode dizer que foi copiado pelo Bill Gates!". Fiquei tão impressionado com o cara, que sai catando tudo sobre ele. Fosse em livros ou na internet, cada novidade que lia sobre ele me deixava ainda mais impressionado (isso que eu mal poderia imaginar que ele ainda iria provocar uma i-revolution digital).

***

     É claro, como era de se esperar, também descobri que ele passou longe de ser uma unanimidade como pessoa. Inclusive, há uns quatro anos, quando um de meus melhores amigos, o Tibério, se formou em Análise de Sistemas, eu o presenteei com um livro do Steve Jobs dizendo "leia e faça como ele faz: aproveite apenas as boas ideias e ignore a parte podre". Mas para isso eis que o tempo será o agente da limpeza, assim como o fez com o Einstein, jamais lembrado como aquele que espancava a esposa.

***

     Meses atrás, conversava com a minha colega Jaque sobre o Steve Jobs. Ela, como uma entusiasta do Androide (sistema operacional utilizado pelos concorrentes do iphone), relutava em admitir que ele fosse um gênio e lembro-me de ela ter dito "mas não foi ele quem inventou a tela sensível ao toque". Sim, não foi ele, respondi, mas foi ele sim quem juntou esta tela, que todo mundo tinha acesso, com mais um monte de ideias, que qualquer um poderia ter tido, e criou um produto líder de mercado, que ninguém havia criado até então.
    
     Pense bem: quando você acessa o Windows, você não usa o menu iniciar. Aliás, salvo o caso em que precisa desligar a máquina. Enfim, o que você usa mesmo são os ícones que criou ou que já vieram com o Windows. Além disso, se você usasse uma tela sensível ao toque em um computador, você eliminaria a necessidade de teclado e mouse, ficando apenas com o monitor. Pronto! Temos o iphone e o ipad! Uma tela sensível ao toque, logo, sem teclado e sem mouse, sem menu iniciar e apenas com os ícones. Depois disso, é claro, foi só acrescentar uns efeitos bacanões para reduzir tamanho de tela e rolagem com os dedos. São ideias como essas que fazem da simplicidade o único pré-requisito para genialidade! 

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     Foi um dia triste. Na informática, campo que escolhi para atuar profissionalmente, ele foi uma essoa que me inspirou muito. Ele me ajudou a esclarecer conceitos como inovação e simplicidade.
     Encerro com um texto de Walter Isaacson, escritor da biografia autorizada que será lançada em breve, e que sintetiza exatamente o que eu pensava de Jobs:

Embora não tenha inventado muitas coisas de cabo a rabo, Jobs era um mestre em combinar ideias, arte e tecnologia de uma maneira que por várias vezes inventou o futuro. Ele projetou o Mac depois de apreciar o poder das interfaces gráficas de uma forma que a Xerox não foi capaz de fazer, e criou o iPod depois de compreender a alegria de ter mil músicas em seu bolso de uma forma que a Sony, que tinha todos os ativos e a herança, jamais conseguiu fazer. Alguns líderes promovem inovações porque têm uma boa visão de conjunto. Outros o fazem dominando os detalhes. Jobs fez ambas as coisas, incansavelmente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11 de setembro: para alguns, os EUA não são as vítimas

   

    Que o 11 de setembro representa a irracionalidade a bordo de aviões destruindo prédios, essa visão é unânime nas américas, porém, para os Chilenos, os EUA não são as vítimas, mas sim os responsáveis.

     No dia 11 de setembro de 1973, o Chile sofria um golpe militar para empossar o então general do exercito chileno Augusto Pinochet. Um golpe conhecido pela brutal violência com a qual foi executado. E sabem como isso foi feito? Para evitar o golpe militar, o presidente chileno, eleito por voto popular, Salvador Allende, e todos os seus ministros, se refugiaram no Palácio de La Moneda. Em uma manobra surpreendente violenta, aviões bombardearam o prédio matando todos que estavam lá dentro. Sim, todos!!! O local ficou em ruínas. E sabem quem liderou o golpe? Pilotos norte-americanos, que vieram ao Chile na Operação UNITAS, sob o pretexto de encenar um circo aéreo dia 18 de setembro, dia da Independência Nacional. A operação UNITAS era apenas mais uma operação norte-americana durante a guerra fria com o intuito de implementar ditadura nos países vizinhos e evitar que estes pudessem pender ao apelo comunista.

     Exatamente isso. Parece uma ironia do destino dizer que, em um 11 de setembro, aviões pilotados por norte-americanos bombardearam o símbolo da democracia de um país. Uma ação que resultou na morte de todos que ali estavam e daria inicio a um governo responsável pelo desaparecimento de mais 50.000 pessoas.

     Pois é, enquanto os EUA lembram desta data com a tristeza de ter perdido pouco mais de 3.000 pessoas, o Chile lamenta a morte de mais de 50.000. Além da data em comum, EUA e Chile testemunharam a irracionalidade e a covardia de ideologias irracionais.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Twitter

Sim, me rendi ao Twitter (e estou curtindo muito). Para quem também tem profile lá, me sigam que irei informar sempre que tiver um post novo:
@junioralves83

Abraço!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O que a Deputada Jaqueline Roriz tem em comum com a defesa do Inter

    
     Eu sou colorado e tem um cara no meu time, o zagueiro Bolívar, que simplesmente não dá mais. O cara até já foi bom, mas ultimamente ele está horrível. Ai, dias atrás, vendo a torcida vaiá-lo, fiquei pensando: que culpa ele tem de ser ruim? Quem tem de ser vaiado é o técnico que, mesmo sabendo da ruindade, o escalou. O que vocês, torcedores, esperavam, que na hora da escalação ele dissesse "desculpe professor, sou muito ruim, vou ficar no banco. Escala o Ruan". Isso? Pois é, hoje, lendo sobre a Deputada Jaqueline Roriz, lembrei deste pensamento.

     Para quem não sabe, ela foi absolvida do processo de cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar. A acusação dava-se por ela ter sido flagrada colocando dinheiro na bolsa no caso do Mensalão do DEM, mas como ela "enfiou" a mão no dinheiro público só em 2006 (e se elegeu deputada em 2010), os deputados consideraram que ela não quebrou decoro algum, a final, nem era parlamentar na época. Agora, depois de ela ter sido absolvida, todos (redes sociais, comentaristas políticos, etc) estão comentando que isso é uma vergonha. Que eles deveriam ter tirado ela de lá!

     Vamos combinar uma coisa: todo mundo, mas todo mundo ao menos ouviu falar do caso do Mensalão do DEM e mesmo assim ela foi eleita??? Que merda é essa??? Como alguem votou nessa mulher?!?!?! Pior: ainda querem que os próprios políticos corrijam esta cagada!

     Pois é, pensem bem antes criticar a política no Brasil. Voltando ao exemplo do meu time, é como se nós fossemos o técnico de um time escalando um perna de pau. Ai, quando obviamente o jogador começa a comprometer toda a equipe, ao invés de ter pensado melhor por que escalamos ele e corrigir no próximo jogo, agente simplesmente sobe para a arquibancada, faz de conta que não tem nada ver com a estória, xinga o cara e se irrita com os outros jogadores por passar a bola para ele! (continuo achando que as vaias deveriam ser para o treinador).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pare de copiar e colar frases prontas só para parecer inteligente!!!


     É impressionante como a internet pode nos mostrar o quanto as pessoas são superficiais. Toda vez, mas toda vez que eu entro no Facebook encontro frases prontas. Sempre tem um Gandhi, um Dalai Lama e um Charlie Chaplin "postado" por alguém e com um monte de babacas "curtindo" ou "comentando" sem entender merda alguma. Entenda uma coisa: você não é inteligente apenas por que leu uma frase na internet, achou que ela relata verdades incontestáveis, percebeu que ela foi atribuída a um cara que disseram para você que fez algo legal da vida e então decidiu copiá-la e colá-la no seu "Face". Não!!! Você não é!

     Estes dias eu li: "Só sei que nada sei (de algum livro do Sócrates ao perceber que ninguém poderia saber tudo)". NOSSA, QUANTA BOÇALIDADE!!!!! Primeiro que Sócrates nunca escreveu nada. Tudo que fora dito por ele foi Plantão quem escreveu. Segundo que esta frase foi usada como uma afronta aos sofistas, que diziam saber tudo. Então ele usava esta frase com seus alunos (tipo, com o Plantão, sacou?) para fazê-los refletir o quanto era importante cada um entender a sua ignorância para alcançar a sabedoria, em outras palavras,  dizia que eles só poderiam alcançar a sabedora quando soubessem que nada sabiam (no caso, entender a sua ignorância, pois aquele que tudo sabe nada tem a aprender).

     Dica: leia, assista programas interessantes, informe-se e transforme tudo isso em conhecimento. Ai sim você estará sendo inteligente. Se leu uma frase bacana, descubra quem a criou (e não o que está escrito no sitezinho onde você a leu). Depois, descubra o livro ou o discurso em que esta frase foi publicada. Ai, leia todo o livro (ou assista o discurso), re-leia e então entenda toda a ideia. Por último, se você concorda com a ideia, coloque-a em prática e compartilhe-a com as pessoas, estando apto a explicá-la e fazer com que acrescente algo na vida de alguém.

     "Ahhh, mas isso é chato...". Sim seu IMBECIL!!! Afinal, o que você quer não é isso (melhorar sua vida e acrescentar algo na dos outros). Você apenas quer parecer um merda, mas um merda inteligente, e, para isso, apenas copiar e colar frases da internet é o suficiente.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Segundo a Bíblia, NÃO trair é pecado!

     Estava lendo um blog que dizia o seguinte:


Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR? (Salmos 89: 6).


     Este trecho da Biblia estava lá para dar "luz" a ideia de que ninguém pode ser ou querer ser igual a deus (no caso, o tal do SENHOR ai do pedaço bíblico). Pois é, ai, entro no Facebook e leio: "Deus é fiel".

     Achei que traição fosse pecado, mas, pelo visto, pecado é tentar se igualar a Deus: ser fiel!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

São Pedro e Bruna Surfistinha


     Estava conversando com alguns colegas no intervalo da faculdade e, em um assunto que não lembro a origem, um dos colegas disse: "sim, inclusive eu vi isso no filme da Bruna Surfistinha". Então fiz uma cara parecida com a dos torcedores brasileiros quando o Mano Menezes anunciou que o Jadison seria titular no primeiro jogo contra o Paraguai. E ele me recriminou: "qual o problema com o filme da Bruna Surfistinha?".

     Sabendo que ele era religioso, fiz a segunda analogia:

     Imagine se um dia eu estiver entre a vida e a morte e parar na porta dos céus. Então, vou ver São Pedro e vou implorar que me deixe apenas mais alguns anos na Terra: "tio de branco, por favor!!!! Deixa eu voltar!!!! Só mais alguns anos. A vida é tão boa e eu gosto tanto de lá". Ai, ele puxaria um longo e extenso pergaminho contendo toda a minha "ficha" terrestre. Cabisbaixo, lendo a ficha com um óculos de leitura equilibrado na ponta do seu narigão santo, ele me olharia por cima dos óculos e diria: "ahhh, o que temos aqui... ...vejo na sua ficha que você usou duas horas da sua vida terrestre assistindo filme da Bruna Surfistinha. hein??? Também percebi que há várias horas de Domingão do Faustão, Zorra Total e leitura de livros de autoajuda! Muito bonito né! Desperdiçando a sua vida e agora pedindo mais tempo para mim. Nada feito! Pode subir."

     Não sou religioso e tão pouco acredito que isso ficaria registrado na minha ficha de horas, mas antes que eu precise pedir mais tempo de vida, prefiro aproveitar melhor as horinhas que estão sob o meu domínio.

sábado, 6 de agosto de 2011

Observem os Hamsters!


     Dias atrás, um amigo presenteou a filha da namorada com dois hamsters. Enquanto eu olhava os bichinhos, troquei uma idéia rápida com um deles (não, eu não tinha fumado nada): "Ei, amiguinho! Qual o sentido de ficar girando em uma roda?". Obviamente não obtive resposta, porém, à noite, quando já estava em casa, passando os canais parei no Discovery e imaginei um hipotético diálogo entre os ratinhos se eles estivessem ali comigo:

- Hein, Mickey, tu já conseguiu entender esse negócio que os humanos fazem nesse tal de Everest?
- Pois é, Gigio, os caras sobem esse morro branco, chegam no topo e voltam. Que coisa sem sentido!
- É, Mickey meu velho, eles fazem algo tão sem sentido quanto nós e ainda arriscam a vida para isso. E depois nós é que somos os irracionais.

     Após a reflexão dos ratos imaginários percebi algo em comum que temos com os animais: precisamos de desafios para nos sentir vivos.

     Assim como sei que se você tirar a roda dos hamsters eles podem morrer de stress (nesta parte não tem alucinações emaconhadas. Acreditem, é verdade isso), os cães da raça São Bernardo precisam passear com mini mochilas nas costas para não sofrerem do mesmo mal. Isso por que esses animais precisam de desafios e nós somos iguais a eles.

     Se não criarmos atividades que nos desafiem, que testem nossas capacidades, cairemos em frustração. Qualquer um que trabalhar em uma organização nada desafiadora só terá uma mentalidade sadia se tiver algo do lado de fora que a mantenha "viva". Muitos pais têm em seus filhos a força motriz para enfrentar a rotina das outras atividades menos desafiadoras. Também há os que criam ou tornam-se voluntários em ongs e até mesmo quem precise escalar o Everest para continuar se sentindo vivo.

     Independente do que for a atividade, encontre o seu Everest (nossa, que frase mais pronta de livro de auto ajuda, rsrsrs). Brincadeiras a parte, a mensagem no fundo é séria. O fato é que a frustração da vida de muitos pode ter uma solução tão obvia quanto a função da roda para os hamsters.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Por que não conseguimos conviver em sociedade (um dos motivos)?


     Dias atrás, eu estava assistindo a um filme do Michael Moore. Ao explicar por que ele acreditava que as empresas, mesmo ele falando mal delas, ainda patrocinavam seu filme, ele respondeu que o fato devia-se a uma brecha no capitalismo. Os empresários acreditam que nada vai acontecer a eles e, por sua vez, um filme é uma boa oportunidade de divulgar sua marca. Segundo ele, um capitalista vende a própria corda com a qual será enforcado se perceber que pode lucrar com isso. E é a mais pura verdade.

     Vamos a um exemplo bem simples. A Sony Records há anos tenta judicialmente o fim do formato de mídia MP3, porém a Sony Ericsson teve seu maior volume de vendas em equipamentos celulares em um modelo, cujo principal recurso era justamente a reprodução de MP3 (linha Walkman). Esse dilema da Sony confirma a teoria do cineasta. No entanto, também há uma brecha bem evidente no sistema socialista, defendido por  Michael Moore: o interesse pessoal sempre virá antes do interesse coletivo.

     Se você ler as idéias de Marx e de Engels sobre socialismo e sobre comunismo não conseguirá discordar de uma linha do que encontrar. A riqueza atual do mundo, se dividida, permitiria a todos uma condição social de classe média alta (bem simples: some o PIB dos países e divida pelo numero de habitantes). Assim como a produção diária de alimento mundial seria suficiente para alimentar todas as pessoas do mundo e ainda sobraria duas toneladas por dia (dados da ONU).Qualquer um, unanimemente, ao ler isso concorda que este seria um mundo melhor e realmente acredita que deveríamos colocar em prática esta matemática, porém, não sabendo como fazer, apenas lamenta. No entanto a forma de fazer isso é muito simples.

     Se você tem muito, mas muito dinheiro, não compre um carro de 2 milhões ou um vinho de 120 mil. Compre um belo carro e um excelente vinho, mas doe o restante para o governo. Se você não desfruta de toda essa grana, mas está prestes a comprar um sofá de 5 mil ou um celular de mil reais, compre produtos mais simples e doe o restante do dinheiro aos mendigos que encontrar na rua. Eis a brecha do sistema socialista!

     Você realmente acredita que o governo irá investir o dinheiro? Bom, se investisse, com o que arrecada, até cerveja deveria ser de graça no Brasil. E o mendigo? Você acredita que ele pegará o dinheiro, comprará roupas novas e tentará buscar um emprego??? Nada! Ele vai lhe pedir mais no dia seguinte, aproveitando-se da sua bondade. Por sua vez, sabendo disso, você não doa o quanto poderia a quem precisa e ainda faz de tudo para sonegar ao governo.

     E assim convivemos socialmente: pessoas morrendo de fome, governos corruptos e ricos ostensivos, pois cada um trata de defender seus próprios interesses. Ainda bem que temos as leis!