sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mudança

Pois é, fiquei um tempo sem aparecer por aqui, pois estava passando por um período conturbado de mudanças. Decidi ousar um pouco e sair do emprego onde estava por quase 6 anos para navegar em novos mares corporativos. Entre as mensagens positivas que recebi, compartilho com vocês esta frase de Amyr Klink que resume bem o momento:


Prefiro a pior das tempestades do que navegar sem rumo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ok, mas será que todas as raças têm de fato as mesmas oportunidades?

     No último post, critiquei o Ministério da Igualdade Racial. Não o considero uma secretária inútil, apenas mal conduzida (pelos motivos que citei). Mas façamos uma análise rápida. Se todas as raças possuem igualdade de condições, por que, quando vou a um estádio de futebol, por exemplo, sempre percebo que apenas negros trabalham vendendo refrigerante e salgadinho? Por que a maioria dos flanelinhas são negros? Por que o mesmo "fenômeno" se repete com garis e com lixeiros? Você já foi em algum médico negro? Conhece algum empresário negro?

     Se de fato todos possuem igualdade de condições em nossa democracia de direito, qual motivo da esmagadora maioria dos subempregos serem ocupados por negros (nunca consegui responder esta pergunta)?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ministério da Igualdade Racial?

     Estava lendo uma reportagem sobre a posse da nova ministra da igualdade racial Luiza Helena de Bairros. Fiquei pensando: "de que forma se implementa uma política para prover igualdade racial? O que é preciso ser feito para isso? Como um ministério pode ajudar neste caso?" Aliás, vocês já haviam pensado a respeito?

     Decidi entrar no site (http://www.seppir.gov.br/) deste ministério (que na verdade é uma secretaria) e tentar descobrir. Eles até possuem algumas idéias bem bacanas, como ensinar cultura negra nas escolas (a final, nossa população é formada da miscigenação de índios, de europeus e de negros). Porém há um primeiro erro nesta secretaria: tudo que encontrei referia-se apenas à raça negra. Nada sobre índios, por exemplo, que, na verdade, é a única raça nativa brasileira. E a exclusividade não está apenas na pauta. Todos os ministros que estiveram à frente da secretaria foram negros (nenhum índio também). Esta parcialidade faz com que a secretaria perca força e seja vista não como uma iniciativa para igualdade racial, mas sim para inserção da cultura negra no Brasil. Não que isto esteja errado (não é isso que estou dizendo), porém a iniciativa teria maior aderência se fosse menos parcial. Mas o erro fundamental deles não é esse. É a de sugerir estatutos e projetos de leis.

     Leis de igualdade racial!!! Não existe isso! É de uma infantilidade gigantesca acreditar que leis garantirão igualdade racial. Leis apenas punirão aqueles que forem racistas, mas nunca eliminará o racismo. Até porque, uma lei como essas legitima o racismo, ao passo que segrega as pessoas entre os membros desta ou daquela raça. Antes que eu pareça um reacionário legislativo, as leis contra racismo são boas e úteis, mas servem apenas para punir pessoas que a educação não conseguiu lapidar. Elas, apenas as leis, jamais conseguirão garantir igualdade racial. Os EUA é o maior exemplo disso. Lá, há muito, mas muito mecanismo legal de se punir racistas, porém, em um país no qual os negros são minoria (assim como no Brasil, cujo ultimo censo constatou que apenas 7% da população declarou-se negra), isso acrescenta ainda mais a diferença racial, pois garante a uma minoria um direito (e, em alguns casos, uma exclusividade) que a parte majoritária da população não dispõem. Quem já esteve nos EUA ou tem algum contato com a cultura deles sabe da discriminação absurda que os negros sofrem lá. Como conseqüência os negros sente-se excluídos e acabam agindo da mesma forma. Assista a um filme do Eddie Murf e perceba os papéis que os brancos interpretam. Além de nunca serem ligados aos personagens principais, geralmente são os vilões ou aqueles que são ridicularizados durante o enredo (sem mencionar que quase não há pessoas brancas em seus filmes). Lá há uma guerra racial e estamos caminhando para o mesmo erro.

     A única forma de combater racismo é com educação. Educação ao racista para ele perceber o quanto imbecil foi até então e educação ao negro (ao índio, ao mestiço, etc) para que ele tenha as mesmas oportunidades das outras raças. Enquanto organizações de "igualdade" ou "inclusão" social de raças continuarem tentando fazer isto à força, ou melhor, através de leis, cada vez mais as diferenças raciais serão acentuadas.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O que é Certo e o que é Errado?

     Na filosofia, os textos e os ensaios sobre ética tentaram definir, sem sucesso, o que é o certo e o que é o errado. Entre os filósofos é quase hunânime a idéia de que o tempo é o responsável por determinar se um fato é certo ou errado (algo pode ser certo em uma época e errado em épocas seguintes). No entanto atrevo-me a discordar de todos e propor que a idéia de certo e de errado é atemporal e está sim relacionada com a quantidade de pessoas que concordam com ela.

     Quando Darwin publicou "A Origem das Espécies" e tentou, com base neste livro, explicar sua teoria sobre a seleção natural, naquele momento, para todos, ele estava errado. Chegou a ser motvo de piadas ao dizer que o homem não era uma obra divida e sim uma evolução dos primatas. Se algum aluno, de qualquer escola britânica, utilizasse a teoria de Darwin em seus trabalhos de biologia eles seriam reprovados (aliás, imagine o quão interessante seria ter acesso aos trabalhos daquela época e constatar que os alunos que respondiam que a evolução das espécies tinha origem em um processo de seleção natural tiravam as piores notas, enquanto os colegas que alegavam que esta era fruto de intervenção divina tinham os melhores resultados). Hoje, a coisa é bem diferente e Darwin é assunto obrigatório em qualquer livro de biologia. O intrigante é que a teoria de Darwin não mudou de 1859 para cá. Por que agora ela está certa? Simples: por que a maioria das pessoas concorda com ela!

     Assim como Darwin provocou indignação entre os cientistas mais conservadores, ele provocou dúvida nos mais jovens. Novas gerações nascem com novas idéias e é isso que "oxigena" as mudanças de conceitos. Cada vez mais as pessoas estão abertas para novos pensamentos. Há 100 anos, ter um negro como escravo era certo, embora alguns já considerassem errado. Hoje, é completamente errado. O que mudou? Os negros e os índios são mais humanos hoje? São mais bacanas? Já sei: usam Nike e isso os torna iguais aos outros? Não, nada disso. A diferença é que ninguém mais concorda com a escravidão e por isso ela é errada.

     Portanto o conceito de certo e de errado está apenas ligado ao número de pessoas que concordam com a idéia. Se começarmos hoje a preservar o meio ambiente, a ter consciência política, a criarmos nossos filhos para serem seres humanos bem sucedidos ao invés de apenas profissionais bem sucedidos, daremos inicio a uma nova forma de enxergar o que é certo e, quem sabe, as gerações futuras nasçam sobre esta luz e possam partir dela para criar uma nova idéia sobre o que é certo. Só lamento não estar vivo para ver o que acredito ser certo sendo tratado desta forma pela sociedade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Por que você faria um concurso público?

     Na semana passada, a revista Veja publicou uma reportagem sobre os senadores que recebem aposentadorias vitalícias por terem sido governadores em seus estados. Entre as declarações, o gaúcho Pedro Simon alegou que não abriu mão do dinheiro por enfrentar problemas financeiros. Sarney (o que mais recebe e sei lá de que estado ele é) não deu declarações. E, para fechar com chave de ouro, o paranaense Alvaro Dias disse que pretende doar tudo para a caridade. Sabe, fiquei pensando: “Que cambada de babacas e de hipócritas! Os caras usam o nosso dinheiro dos impostos apenas para garantir estabilidade financeira. Trabalhar em pró da população que é bom, nada!”. Mas pensando bem,...

...quando optamos tentar a carreira de servidores públicos e, por conseguinte ter uma renda da mesma origem (os impostos) dos políticos, com qual mentalidade nós a almejamos? Com a mesma que gostaríamos que os políticos adotassem? Aqui, só entre nós, alguma vez você ouviu alguém dizer “vou fazer um concurso público para melhorar o atendimento à população” ou então “não vejo a hora de me tornar um servidor público e melhorar o serviço que prestamos ao povo”. Bobagem! Ninguém, mas ninguém pensa assim. Todos querem a estabilidade. Todos querem a chance de poder ganhar bem sem ser demitido. Ou seja, discursamos indignados, mas agimos iguais a eles.

     Aliás, todos que criticam os políticos e acham que se tornar um funcionário público, antes de qualquer outra coisa, lhes trará estabilidade, são uns babacas! São hipócritas. Discursam moral com cueca de elefantinho! É por causa de gente assim que vivemos nesse país de merda (que tinha tudo para ser uma democracia fantástica).

     É assim que vivemos. Ensinamos nossos filhos que devem tentar um concurso para terem estabilidade. Elogiamos amigos e parentes que tentam, desesperadamente, ingressar na carreira pública em pró da estabilidade. Sem perceber, alimentamos esta mentalidade patrimonialista e depois não entendemos por que a nossa situação não muda. Nada muda porque somos TODOS assim: babacas e hipócritas! Será que nossa indignação com os políticos deve-se ao fato de ignorarem a população ou simplesmente por que os invejamos?